UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

11/11/2009 - 16h41

DIs sobem mostrando preocupação com inflação

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros apresentaram firme movimento de alta no pregão desta quinta-feira e assim encerram a jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2013 mostrava valorização de 0,04 ponto, a 11,95%; o de janeiro de 2014 avançava 0,04 ponto, a 11,88% e o de janeiro de 2015 subia 0,01 ponto, a 11,80%.

Entre os curtos, o contrato de dezembro de 2010 registrava estabilidade a 10,63% e o de janeiro de 2011 apontava 10,65%, sem alteração. Já o de março de 2011 ganhava 0,02 ponto, a 10,71% e o de janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,05 ponto, a 11,58%.

O feriado que deixou fechado o mercado de títulos nos Estados Unidos não atrapalhou os negócios por aqui. Até as 16h10, foram negociados 1.117.375 contratos, equivalentes a R$ 99,74 bilhões (US$ 58,43 bilhões), alta de 60% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento de janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 268.815 contratos, equivalentes a R$ 23,72 bilhões (US$ 13,89 bilhões).

Na avaliação do economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, a pressão de alta na curva futura é observada faz alguns dias e reflete o mercado mais preocupado com a inflação.
Na semana, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro em 0,75%, e o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 1,01% não agradaram. Fora isso, as coletas privadas de preços mostram uma aceleração ainda mais forte no preço nos alimentos.

"O cenário está longe de ser confortável. Então, a curva fica mais pressionada", resume o especialista.

Os agentes também acompanharam as declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Além do discurso padrão de tomar as medidas necessárias para o controle da inflação, o presidente falou que as projeções de inflação do modelo da autoridade monetária não dão margem para a redução de juros.

Segundo Campos Neto, a fala de Meirelles vai de encontro ao noticiário recente fomentado por membros do governo dando conta de uma redução de juros já no ano que vem.

"A fala do Meirelles mostra que não é bem por aí", diz o economista, reforçando que o cenário no mercado de juros é de cautela.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro fez um leição relativamente pequeno, ofertando 3,1 milhões de títulos, mas também vendeu pouco, apenas 46% do total.

Foram ofertadas 2,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) com dois vencimento (janeiro 2011 e janeiro de 2013), mas foram colocadas 1,214 milhão, a R$ 988 milhões.

Ainda foram ofertadas 300 mil Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Entre os três vencimentos, o foco estava na NTN-F 2021, já que nos últimos dois leilões esses ativos foram ofertados, mas não foram fechados negócios. Todas as 100 mil notas foram colocadas. As notas para 2017 também tiveram colocação integral. Já das 100 mil notas para 2015, apenas 25,7 mil foram colocadas. Ao todo, o leilão de NTN-F movimentou R$ 212 milhões.

(Eduardo Campos | Valor)
Hospedagem: UOL Host