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11/11/2009 - 10h26

OEA pede mediação do Brasil na disputa entre Colômbia e Venezuela

SÃO PAULO - O Brasil deveria mediar a disputa diplomática entre Colômbia e Venezuela, que levou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a conclamar seu país a se preparar para a guerra. O pedido veio do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

O governo brasileiro propôs um encontro no dia 26, em Manaus, entre os países amazônicos, segundo informou a OEA. Colômbia e Venezuela devem participar.

O ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, disse ontem não acreditar no aumento da tensão na América do Sul por causa das declarações de Chávez. " O Brasil vê tudo isso com moderação. Não creio que vá acontecer absolutamente coisa nenhuma " , disse o ministro. " Cremos que tudo isso possa ser resolvido com o diálogo e a posição do Brasil é sempre uma posição de moderação. " Outros países já tentaram se colocar como mediadores. O chanceler do Panamá, Juan Carlos Varela, entrou em contato com os ministros das Relações Exteriores de Colômbia e Venezuela, Jaime Bermúdez e Nicolás Maduro, para tentar estabelecer o diálogo, mas os esforços não foram produtivos.

Chávez afirmou no domingo que os comandantes militares do país devem estar preparados para a guerra e pediu aos cidadãos que defendam a pátria contra futuros ataques que poderiam ser orquestrados pelos EUA através do acordo para usar bases militares na Colômbia.

" Não vamos perder um dia na nossa principal missão: nos preparar para a guerra e ajudar as pessoas a se preparar para a guerra, porque isso é responsabilidade de todos " , disse Chávez.

" Senhor comandante da guarnição militar, batalhões da milícia, vamos treinar. Estudantes revolucionários, trabalhadores, mulheres: todos prontos para defender esta terra sagrada chamada Venezuela " , acrescentou.

Depois das declarações de Chávez, o governo da Colômbia assinalou que não fará qualquer gesto hostil em relação aos países vizinhos, mas indicou que está decidido a recorrer à OEA e ao Conselho de Segurança da ONU.

Mas as declarações foram criticadas por cidadãos colombianos e venezuelanos nos dois lados da fronteira, considerada a mais ativa da América do Sul.

Dirigentes empresariais e outros cidadãos da fronteira entre a Colômbia e a Venezuela criticaram o discurso do presidente venezuelano. " Se continuarmos passivos, complacentes e tolerantes, esses irresponsáveis vão nos levar a um conflito " , disse o diretor executivo da Câmara do Comércio de San Antonio, o venezuelano José Rozo. " Eles estão preparados para fazer a guerra e nós a paz " , acrescentou, antes de convocar os comerciantes e representantes do setor financeiros dos dois países a se manifestar para evitar um conflito armado.

(Valor, com agências internacionais)

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