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12/11/2009 - 13h39

Alimentos voltam a puxar queda da inflação para baixa renda

RIO - Os alimentos continuaram puxando a desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que em outubro registrou a taxa mais baixa do ano, de -0,18%, o que significou o menor patamar desde os -0,57% de setembro de 2008. As despesas de alimentação para as famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos caíram 0,87% no mês passado, na menor taxa desde os -1,65% de setembro do ano passado.

A queda de 0,87% dos alimentos dentro do IPC-C1 representou a quarta desaceleração seguida deste grupo, que havia subido 0,02% em julho, avançado 0,01% em agosto e recuado 0,47% em setembro.

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), ressaltou que diversos alimentos importantes na cesta de consumo das famílias com renda mais baixa apresentam quedas expressivas de preços no acumulado dos últimos 12 meses. O arroz recuou 17,64% nos 12 meses encerrados em outubro, uma aceleração na trajetória de baixa frente aos -13,90% do período de 12 meses encerrados em setembro. O feijão teve trajetória semelhante, com -45,21% no acumulado em 12 meses até outubro, depois de recuar 39,35% nos 12 meses até setembro. Juntos, arroz e feijão representam cerca de 2% da cesta de consumo das famílias de renda mais baixa.

Braz também chamou a atenção para o comportamento das carnes. Apesar de aumentos de preços das carnes de primeira, motivados pela retomada da demanda internacional, as carnes de segunda - mais consumidas pelas famílias pesquisadas pelo IPC-C1 - apresentam fortes reduções de preços nos últimos 12 meses. No geral, as carnes dentro do IPC-C1 recuaram 4,98% no acumulado em 12 meses encerrados em outubro. Dentro deste grupo, o acém apresenta queda de 10,02% em 12 meses, a carne moída recuou 7,32% no período e a pá teve queda de 9,54% desde novembro do ano passado.

" Houve a expansão da oferta de alimentos ao longo do ano, a safra foi boa, a demanda por commodities caiu por causa da crise e o dólar recuou. Isso tudo abriu espaço para a queda dos preços dos alimentos " , destacou Braz.

O economista acredita que até o fim do ano não há espaço para uma redução tão grande do acumulado pelo IPC-C1 em 12 meses, que é de 4,26%. Para o ano que vem, apesar de não ver espaços para quedas tão expressivas dos alimentos, Braz ponderou que a tendência é de pressão menor para os administrados, uma vez que 2009 carregará pouca inércia inflacionária para 2010.

" Ao longo de 2010, muita coisa pode acontecer, mas como vamos fechar com inflação mais baixa em 2009, a chance de haver inércia para a inflação futura é baixa. Como a inflação desse ano tende a ficar abaixo da meta tanto para o C1 quanto para o índice oficial, você tem chance de alimentar um processo de inflação mais baixa para o ano que vem " , explicou.

Outra boa notícia para o consumidor alvo da pesquisa do IPC-C1 foi a decisão do governo de manter a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para itens de linha branca de baixo consumo de energia. Em outubro, os preços dos refrigeradores recuaram 0,89%, enquanto os fogões ficaram 1,22% mais baratos.

" A desoneração causa queda nos preços dos produtos mais eficientes e aproxima os preços das marcas mais baratas, que são obrigadas a reduzir preços para conseguir mercado. Isso beneficia o consumidor de renda mais baixa, que consome o produto mais barato " , argumentou o economista.

Entre os sete grupos que formam o IPC-C1, apenas três apresentaram aceleração de preços em outubro. Saúde e cuidados pessoais passou de -0,25% em setembro para +0,06% em outubro, fruto de aumentos em serviços como barbearia, que passou de 0,56% em setembro para 0,73% em outubro; salões de beleza, que subiram 0,66% em setembro e avançaram 1,18% no mês passado; e dentistas, que passaram de +0,02% para +1,37% no mesmo período. Além disso, houve alta em produtos como papel higiênico, com +2,21% em outubro, contra -0,74% em setembro; e xampu, com +0,86% no mês passado, contra -0,75% em setembro.

Outros grupos que aceleraram a alta de preços em outubro foram Educação, leitura e recreação, com 0,46% no mês passado, depois de registrar 0,06% em setembro; e Transportes, que passou de 0,02% em setembro para 0,03% no mês passado. Braz explicou que no primeiro caso houve influência dos preços do material escolar, que começam a apresentar trajetória de alta, além do crescimento dos preços ligados à recreação, uma vez que já se aproxima a alta temporada. No caso dos Transportes, destaque para o avanço da gasolina, puxada pelo crescimento dos preços do álcool.

(Rafael Rosas | Valor)

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