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12/11/2009 - 13h39

Desemprego vai piorar em 2010, especialmente nos países ricos, diz OIT

GENEBRA - O desemprego deverá piorar em 2010, especialmente nos países desenvolvidos, alerta a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade estima que o consumo e os investimentos continuam muito baixos para reverter a deterioração no mercado de trabalho.

A situação econômica não voltou ao normal, e os governos não devem retirar as medidas de estímulo econômico, diz a OIT em documento para a reunião de seu conselho de administração, presidido pela embaixadora brasileira Maria Nazareth Farani Azevedo.

Pelas suas projeções, a crise global pode ter causado ao menos 39 milhões de desempregados este ano, em relação a 2007, totalizando 220 milhões de pessoas sem trabalho, o maior nível em todos os tempos.

Para 2010, as perspectivas continuarão ruins. A OIT observa que os sinais de recuperação na demanda do setor privado, para tomar o lugar das medidas excepcionais do setor público como motor da retomada, ainda são frágeis. Muitas firmas continuam a ter altas taxas de capacidade não utilizada e baixas intenções de investimentos. Além disso, sempre existe um intervalo de 4 a 6 anos entre a retomada do crescimento e a alta do emprego, diz a entidade. " Já há um esboço de recuperação econômica, mas que não está se refletindo no emprego " , diz Farani Azevedo, que preside reuniões até a semana que vem de países debatendo a dimensão social da crise.

Para a entidade, parece claro que não se pode esperar que a recuperação da economia venha dos países desenvolvidos, que representam 55% da produção global.

Em contrapartida, a entidade estima que a China, a Índia e o Brasil, que juntos são responsáveis 19% de toda a produção mundial, devem alcançar um crescimento econômico relativamente forte em 2010. Mas outros países em desenvolvimento continuarão sendo atingidos desproporcionalmente de modo mais duro pela crise.

No geral, a entidade estima que, enquanto não houver políticas mais fortes para estimular o consumo privado, que representa 75% do Produto Interno Bruto (PIB) na maioria dos países, a recuperação global continuará bem gradual.

A avaliação da OIT coincide com o aumento de críticas de especialistas ao presidente Barack Obama, nos EUA. O professor Jeffrey Sachs considera que Obama " perdeu o rumo para recuperar o emprego " . A taxa de desemprego nos EUA já passou dos 10%.

(Assis Moreira | Valor)

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