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12/11/2009 - 16h51

Soluções Usiminas pretende agregar valor a produtos de aço

SÃO PAULO - Para dar continuidade ao plano da Usiminas de ganhar vantagem comparativa com o fornecimento de aço de maior valor agregado, a Soluções Usiminas inicia suas operações com uma base de mais de 10 mil clientes. A empresa, que acaba de nascer, concentra os negócios de distribuição e centros de serviços controlados pelo grupo Usiminas, e já se lança no mercado com o objetivo de vender mais de 1,2 milhão de toneladas de produtos de aço e faturar R$ 3,6 bilhões no ano que vem. Formada pela união das empresas Rio Negro, Dufer, Fasal e Zamprogna, além das unidades Usial e Usicort, a Soluções foi criada pelo grupo como uma forma de consolidação dos negócios de processamento e transformação do aço. São 14 fábricas e 2,5 mil funcionários, nos segmentos de distribuição, serviços e tubos, que agora produzirão em forma de unidade produtos siderúrgicos como bobinas, chapas e tubos de aço. Todas essas empresas, que operavam de modo independente e com focos diferentes, registraram somadas faturamento de R$ 2 bilhões até outubro deste ano. Para unir as companhias, não houve investimentos por parte da Usiminas, apenas um processo de negociação com os acionistas, que já durava um ano. "Hoje concluímos um processo de restruturação acionária. Agora vamos conduzir o negócio de uma forma estratégica, com um só corpo administrativo", afirmou Sérgio Leite, vice-presidente de negócios da Usiminas. A ideia é tornar essas empresas, nas quais a Usiminas já tinha participação, em uma plataforma de fornecimento de um serviço mais completo ao cliente e, desta forma, enfrentar a concorrência das importações, com produtos que forneçam uma diferenciação pelo maior valor agregado. "Queremos concentrar o serviço de aço, nos termos do conceito de 'one stop shop'", afirmou o diretor executivo da Solução Usiminas, Luiz Ernesto Migliora. A Usiminas vive, em conjunto com o setor siderúrgico como um todo, uma situação complicada. Além de ter sido duramente atingido pela crise, o setor enfrenta uma saturação no mercado de semi-acabados. No Brasil, a produção do aço supera muito o consumo interno, o que faz com que o segmento fique dependente do mercado externo. Além disso, a China tem uma produção agressiva, a preço competitivo. Diante desse quadro, a Usiminas pretende voltar seus investimentos para que a produção de laminados seja comercializada com agregação de valor, e chegar em 2015 com 50% da produção nessas condições (o nível hoje é de 24%). É exatamente nesta estratégia que entra a Soluções. "A estratégia de agregação de valor está presente tanto nos nossos negócios internos, quanto nos externos", enfatizou Leite. No terceiro trimestre deste ano, o grupo Usiminas registrou um lucro líquido de R$ 454 milhões, 23% menor do que os R$ 588 milhões verificados um ano antes, mas 23% melhor do que os R$ 369 milhões de abril a junho deste exercício.

Apesar de ainda enfrentar dificuldades, a companhia acredita na recuperação breve dos mercados. "Em 2011 o Brasil volta à normalidade", afirmou Leite, se referindo ao setor siderúrgico. Para ele, o ano que vem será uma etapa de recuperação para o país, que verificará um retorno aos níveis de consumo anteriores à crise mais rápido do que os seus competidores. "Em nível mundial, a recuperação será efetiva apenas em 2012", concluiu o executivo. (Vanessa Dezem | Valor)

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