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13/11/2009 - 09h04

Bovespa caiu 3% e dólar avançou 0,92% em pregão de forte ajuste

SÃO PAULO - O medo de novas medidas cambiais foi uma das justificativas do mercado ontem para atuar com força na ponta de venda da bolsa paulista. Os agentes zeraram posições, mas muitos analistas acreditam que esse movimento é uma realização natural de lucros de curto prazo. A ideia é embolsar os ganhos auferidos até agora para voltar às compras depois.

O Ibovespa fechou com baixa de 2,99%, aos 64.447 pontos, com giro financeiro de R$ 8,080 bilhões. O índice variou da máxima de 66.613 pontos à mínima de 64.318 pontos. O dólar comercial encerrou negociado a R$ 1,736 na compra e R$ 1,738 na venda, aumento de 0,92%.

Os comentários em torno de possíveis medidas adicionais do governo para conter a desvalorização do dólar surgiram após a notícia de que o economista Emílio Garófalo Filho será assessor para câmbio e comércio exterior do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Garófalo é considerado um especialista em assuntos relacionados a câmbio e o novo cargo sinalizou a atenção da Fazenda ao atual cenário de queda do dólar perante o real.

Agentes de mercado também ressaltaram que houve um forte movimento de vendas de Vale PNA, que tombou 4,08%, a R$ 40,60. Os operadores mencionam, no entanto, que a transação foi acompanhada de compra de opções do papel com vencimento em dezembro. O vencimento de opções neste mês acontece na segunda-feira, dia 16, e o mercado se antecipa a movimentos na reta final de divulgação de balanços trimestrais.

Também teve influência nos negócios o movimento negativo em Wall Street, embora as vendas tenham sido mais modestas. A razão negativa veio da queda dos preços de papéis do setor de energia. O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou novo aumento dos estoques de petróleo, afetando expectativas de retomada de consumo e recuperação de preços. Na reta final, pesou também a divulgação do déficit orçamentário americano de outubro, que somou US$ 176,4 bilhões, maior do que a previsão do mercado de US$ 150 bilhões.

Entre os ativos de maior peso na carteira do Ibovespa, Petrobras PN caiu 1,99%, para R$ 36,85; Vale PNA tombou 4,08%, a R$ 40,60; Itaú Unibanco PN cedeu 2,90%, para R$ 36,75; BM & FBovespa ON declinou 5,12%, a R$ 12,04; e Bradesco PN perdeu 2,10%, para R$ 34,90.

No segmento de juros, os contratos de de Depósitos Interfinanceiros (DIs) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) encerraram o pregão com forte valorização, acompanhando o um dia de ajuste negativo no mercado acionário e de cautela no segmento cambial. Ao final do pregão, o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido, teve alta de 0,07 ponto percentual, a 10,24%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,09 ponto, a 11,61%, e janeiro de 2013 projetava 12,29%, alta de 0,06 ponto. Entre os curtos, o contrato de fevereiro de 2010 subiu 1 ponto e foi o segundo mais negociado do dia. O Tesouro realizou leilão de R$ 5,1 bilhões em papéis prefixados, tendo vendido integralmente todos os lotes. O sucesso da operação, em tese, poderia reduzir a demanda por proteção (hedge) em DIs, mas não foi o que aconteceu, o que sinaliza posições realmente mais cautelosas por parte dos investidores (Bianca Ribeiro | Valor)

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