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16/11/2009 - 13h19

Lobão não descarta uso de térmicas para garantir segurança do sistema

RIO - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, não descarta que a segurança do sistema seja incluída no cálculo que determina o despacho das usinas termelétricas no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Questionado sobre a possibilidade de que o despacho das térmicas poderia ter facilitado o ilhamento do blecaute de terça-feira, restringindo o apagão a uma área menor, Lobão reforçou a qualidade do sistema de transmissão brasileiro, mas admitiu que mudanças poderão ser feitas depois de concluída análise que será feita por um grupo de trabalho que será instituído essa semana e chefiado pelo secretário executivo do ministério, Márcio Zimmermann, com a participação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Furnas e Eletropaulo.

"A modicidade tarifária interessa a todo o povo brasileiro, mas é claro que não podemos procurar a modicidade tarifária em prejuízo da segurança. Mas esse episódio ruim servirá para fazermos uma reavaliação de tudo isso. Se esses técnicos, reunidos nesse grupo, chegarem à conclusão de que se deve ter outro tipo de política, vamos discuti-la com a sociedade " , afirmou Lobão, lembrando que a expectativa é de que o grupo conclua em 30 dias a análise do sistema elétrico nacional.

Lobão, que participou do seminário Brazil Global Energy, no Rio de Janeiro, não quis fazer declarações a respeito do uso político do apagão pela oposição e afirmou que a investigação sobre as causas do blecaute que deixou 18 Estados às escuras na semana passada está a cargo da Aneel. Mas ele reiterou que a causa do problema está ligada a fatores atmosféricos.

Também presente ao evento, o presidente de Furnas, Carlos Nadalutti, descartou a possibilidade de erro humano e ressaltou que a duplicação da linha de transmissão de Itaipu - que leva a energia da usina para o SIN e foi a origem do problema que causou o blecaute - dependeria de uma análise econômica sobre a sua viabilidade.

Lobão também confirmou que o governo federal vai analisar o pedido do governador de São Paulo, José Serra, para que uma parte da operação do sistema elétrico nacional passe para São Paulo. A argumentação de Serra é de que parte da operação era em São Paulo antes de ser transferida para o Rio de Janeiro.

" Vamos estudar. O governo de São Paulo alega que havia esse tipo de monitoramento por lá e foi transferido para o Rio de Janeiro. Acontece que, quando havia em São Paulo, não foi possível impedir os blecautes de 1999 e 2002. Mas, em todo caso, vamos estudar o assunto e, quem sabe, possamos levar para São Paulo, que é um grande consumidor de energia, mais uma maneira de monitorar. O ONS ficaria aqui (no Rio) e lá instalaríamos um braço do ONS, em composição com o governo de São Paulo " , disse Lobão.

(Rafael Rosas | Valor)

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