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16/11/2009 - 18h21

Para Torós, ação contra crise aproximou BC da economia real

RIO - O diretor de política monetária do Banco Central, Mário Torós, afirmou que o Banco Central passou no grande teste trazido pela crise econômica internacional ao mostrar que medidas de proteção do sistema financeiro nacional podem ter impacto direto na proteção do setor real da economia.

"Acho que nós, de alguma forma, conseguimos ao longo dessa crise utilizar os instrumentos monetários do Brasil para mostrar a resiliência da economia e aproximar o sistema financeiro, o Banco Central, do setor real da economia. Acho que foi esse o grande teste que o Banco Central passou e acho que nós conseguimos atingir os nossos objetivos", afirmou Torós, que participou de seminário sobre os 30 anos do sistema Selic, promovido pela Anbima.

De acordo com o diretor, a crise de crédito que assolou a economia evidenciou que o Banco Central não poderia usar apenas a taxa básica de juros como instrumento para combater a turbulência agravada a partir do segundo semestre do ano passado.

"No momento em que a economia precisava da liquidez, ela não tinha como esperar a taxa de juros. Ela precisava da liquidez naquele momento para poder ter uma capacidade (de crescimento), sobretudo no sistema financeiro, porque havia um ? credit crunch ? . E (combater) um ? credit crunch ? só com a taxa de juros era um movimento que não fazia sentido naquele momento", ressaltou, lembrando que o Banco Central optou por medidas como a liberação de R$ 99,8 bilhões dos compulsórios dos bancos para injeção na economia e aplicou R$ 42,4 bilhões em instituições financeiras pequenas e médias. Torós acrescentou que os recursos liberados do compulsório hoje equivaleriam a R$ 117,2 bilhões.

O representante do BC disse ainda que das ações para injeção de liquidez em moeda estrangeira, a autoridade monetária já viu retornarem US$ 22,9 bilhões dos US$ 24,5 bilhões cedidos em leilões para exportadores. O BC vendeu ainda US$ 14,5 bilhões no mercado à vista e, desde o período mais agudo da crise, já trouxe outros US$ 22,4 bilhões para as reservas nacionais por conta de compra de dólares no mercado. Torós frisou que a posição em operações de swap, que garantiram outros US$ 33 bilhões em liquidez, já foi zerada no fim do primeiro semestre deste ano.

O diretor afirmou que a concessão de crédito entre março e setembro deste ano apresentou uma média diária de R$ 7,1 bilhões, mesmo patamar observado entre janeiro e setembro do ano passado, período imediatamente anterior ao agravamento da crise. Desde setembro, o crédito doméstico cresceu 36,1% nos bancos públicos, 9,4% nos grandes bancos privados e 0,3% nas instituições financeiras pequenas e médias.

(Rafael Rosas | Valor)

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