UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

17/11/2009 - 16h50

Barbosa pede tempo para novas desonerações ao setor produtivo

BRASÍLIA - Sem desfazer a promessa, o secretário de Política Econômica da Fazenda, Nelson Barbosa, pediu tempo aos empresários para novas desonerações tributárias. " Na situação atual temos um espaço fiscal reduzido com o recuo de receita. Por isso, vai levar certo tempo " , disse ele.

Ao participar de painel setorial em evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Barbosa manteve o compromisso reiterado poucas horas antes pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro garantiu que o governo vai continuar a reduzir impostos para baratear o investimento no país.

Barbosa afirmou que o investimento no Brasil " ainda é tributado " , citando como exemplo o prazo de 12 meses para uso de créditos tributários.

Ele lembrou que o governo gastou munição reduzindo impostos como medida anticrise neste ano. E que a crise reduziu a arrecadação federal. " Novas medidas, antes do tempo, causam problema. O recuo das receitas limita novas desonerações. Temos que esperar o retorno à situação pré-crise " , disse Barbosa. Ele repetiu que o governo quer, também, desonerar a folha de salários da incidência de contribuição previdenciária. " Mas é preciso aguardar. Entendo os problemas do setor, mas o governo tem que ver este e todos os problemas do país " , respondeu o secretário sobre pressão feita por empresário gaúcho do setor de móveis. Além de incentivo fiscal, a taxa baixa de câmbio foi outro tema recorrente no seminário da CNI, com os empresários clamando por medidas que alterem o cenário atual.

Ele citou que o Brasil está no topo do interesse dos investidores internacionais por ter " a taxa de juros mais alta em relação ao resto do mundo " . Daí a enxurrada de dólares que tem entrado no país.

Barbosa defendeu os instrumentos usados pelo governo para tentar amortecer a entrada de dólares: as compras do Banco Central e a taxação dos recursos externos sobre aplicações em ações e renda fixa. " Volatilidade muito grande cria efeitos sobre investimentos, e efeitos permanentes sobre a economia. O regime de câmbio flutuante ainda é o melhor ao Brasil, porque é um sistema de ajuste mais rápido em momentos de crise. Mas uma apreciação ou depreciação excessivas podem ser prejudiciais e é por isso que temos tentado conciliar câmbio flutuante com pouca volatilidade " , discursou Barbosa.

(Azelma Rodrigues | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host