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17/11/2009 - 16h58

Brasil terá déficit comercial em 2011, diz economista da Fiesp

SÃO PAULO - O Brasil deverá apresentar déficit comercial em 2011, como resultado do enfraquecimento do dólar em relação ao real, de acordo com as projeções do diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca.

Segundo o economista, o saldo positivo da balança comercial irá recuar para uma faixa de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões já no próximo ano, na esteira de um crescimento entre 15% e 20% nas importações, bem acima da alta de 5% a 10% aguardada para as exportações.

As previsões são mais negativas do que as do mercado financeiro, que aguarda um saldo positivo de US$ 15 bilhões no próximo ano, conforme mostra o boletim Focus, do Banco Central. Para 2009, as instituições financeiras projetam um superávit comercial de US$ 25,2 bilhões.

Fonseca declarou ainda que o país poderia crescer a uma taxa próxima de 7% em 2010, não fosse a contribuição negativa do comércio exterior. Segundo suas contas, o declínio das exportações responde por 50,3% da queda na produção industrial brasileira neste ano. Segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção da indústria nos nove primeiros meses do ano cedeu 11,6%.

De janeiro a setembro, as vendas externas de produtos manufaturados apresentaram uma expressiva baixa de 24,1%, algo que não era visto desde os anos 80, disse Fonseca, durante entrevista coletiva nesta terça-feira.

O economista defendeu uma intervenção maior do governo no mercado cambial, no sentido de trazer a cotação do dólar a patamares " mais saudáveis " , o que, na sua visão, seria uma relação de troca entre R$ 2,00 e R$ 2,20 para cada dólar. Ontem, o dólar comercial fechou em queda de 0,69%, a R$ 1,708 para a compra e R$ 1,710 para a venda.

A taxação de 2% nas aplicações de estrangeiros no mercado de capitais brasileiro representa uma decisão modesta diante de uma série de outras medidas que precisam ser tomadas para frear o real, apontou Fonseca.

Para ele, é necessária uma intervenção no mercado futuro, com alterações nos limites de posições vendidas dos bancos para reduzir a pressão dos especuladores. O equilíbrio da taxa de câmbio ainda passa pela permissão na abertura de contas em dólares no país para operadores de comércio exterior e investidores estrangeiros, além do lançamento de linhas de crédito em reais para as exportações, conforme as propostas do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp.

Fonseca criticou ainda as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a indústria precisa se qualificar - com mais investimentos em tecnologia - para seguir exportando, mesmo com o câmbio mais baixo. De acordo com o economista, os investimentos são a consequência e não a causa de uma melhora no câmbio. " O câmbio não vai ser resolvido com investimento em tecnologia. Ninguém vai investir para ter prejuízo " , disse.

(Eduardo Laguna | Valor)

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