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17/11/2009 - 12h18

Dólar cai mais e é cotado a R$ 1,731 na venda

SÃO PAULO - A queda do dólar se acentuou, acompanhando a perda de valor da moeda americana no exterior. Os investidores parecem mais calmos após o governo da Irlanda sinalizar que pode aceitar o resgate da União Europeia. Segundo o ministro das Finanças irlandês, Brian Lenihan, o país pode contar com a ajuda de seus parceiros europeus para lidar com os problemas estruturais do setor bancário da Irlanda, caso a crise se mostre muito grande para o próprio país administrá-la. Outro fator que influencia o câmbio interno é a sinalização dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo não deve adotar novas medidas para impedir a valorização do real, que estaria sendo ajudado pela crise da Irlanda. "Não vejo necessidade de novas medidas neste momento. Mas a qualquer momento [mais ações podem ser adotadas], sabe como é que é. Também não é bom ficar mexendo toda hora no câmbio. Vamos deixá-lo [câmbio] se acomodar", disse Mantega, antes de sair do Ministério da Fazenda e seguir para o Palácio do Planalto, onde terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por volta das 12h20, o dólar comercial tinha queda de 0,51%, cotado a R$ 1,729 na compra e a R$ 1,731 na venda. No mercado futuro, os contratos de dezembro negociados na BM&F cediam 0,60%, a R$ 1,736. "Hoje o câmbio interno está acompanhando o cenário no exterior. Depois de um dia turbulento, causado pelo temor de aperto monetário na China e pelo agravamento da situação da Irlanda, o mercado mostra certa acomodação. A reação dos agentes pode ter sido um pouco exagerada", explica o diretor da Global Hedging, Wolfgang Walter.

"O problema na Europa não é uma notícia nova, é antiga. Como já existe uma solução no papel (o resgate da União Europeia), os investidores estão mais calmos", acrescenta. Uma vez solucionada a situação da Irlanda, os investidores se voltarão à questão de fundo, que permanece: o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) continuará injetando liquidez na economia e pressionando o dólar para baixo. Há pouco, foi divulgado, nos Estados Unidos, que o índice de preços ao consumidor teve alta de 0,2% em outubro, depois de elevação de 0,1% um mês antes. Sem alimentos e energia, o indicador ficou estável, mesma leitura registrada em setembro e em agosto. No mês passado, os preços dos alimentos subiram 0,1% e os da energia avançaram 2,6%, contra incremento respectivo de 0,3% e 0,7% em setembro.

Os investidores também souberam que a atividade de construção de casas nos EUA caiu 11,7% entre setembro e outubro, para uma taxa anualizada ajustada sazonalmente de 519 mil unidades. O indicador também ficou 1,9% abaixo da marca de outubro de 2009 (529 mil unidades). Já os alvarás de construção aumentaram 0,5% perante setembro, alcançando taxa anualizada de 550 mil, mas ficaram 4,5% inferior ao verificado no antepenúltimo mês de 2009 (576 mil).

No mercado futuro de dólar, os bancos estão mais vendidos (apostando na queda da moeda americana) do que os estrangeiros. De acordo com dados atualizados ontem pela BM&FBovespa, a posição vendida das instituições financeiras é de US$ 3,82 bilhões, enquanto os não-residentes estão vendidos em US$ 2,7 bilhões. Para Walter, o dado apenas mostra uma posição defensiva dos bancos e está mais relacionado a necessidades operacionais. "Os bancos não especulam, por isso o fato de eles estarem mais vendidos não é um indicativo de que mudaram suas apostas. As posições que eles montam no mercado futuro são apenas operações de hedge", opina.

Os estrangeiros, por outro lado, especulam no mercado futuro e a redução da posição vendida mostra a eficácia das medidas do governo para conter a alta do real, na opinião do diretor da Global Hedging. "Houve uma mudança de postura significativa dos investidores estrangeiros, o que também tem ajudado na sustentação do dólar", diz. No mercado de câmbio externo, o euro opera em alta de 0,23% ante o dólar, cotado a US$ 1,3505. (Karin Sato | Valor)
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