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17/11/2009 - 16h51

Petrobras e BG terão projeto de liquefação embarcada de gás natural

RIO - A Petrobras e a BG fecharam acordo para contratação de três projetos de engenharia para construção de uma unidade flutuante de liquefação de gás natural. O objetivo das companhias é ter uma estimativa de custo para implantação da unidade, com capacidade para liquefazer até 14 milhões de metros cúbicos de gás por dia, no campo do pré-sal.

De acordo com a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, as duas companhias assinarão em 15 de dezembro o contrato com os três consórcios que desenvolverão os projetos. O de maior viabilidade econômica, caso tenha custo inferior à tradicional solução dos gasodutos, será aplicado no segundo projeto piloto do pré-sal da Bacia de Santos.

Maria das Graças destacou que a unidade poderá ser instalada nos prospectos de Carioca, Guará, Parati, Tupi, Iara ou Iracema, nos blocos BM-S-9, BM-S-10 ou BM-S-11. Pelo acordo fechado hoje, a Petrobras terá 51% da joint venture, enquanto a BG ficará com os outros 49%. Repsol e Galp, que também são sócias das duas companhias em campos do pré-sal, terão até o dia 1º de dezembro para optar por participar da sociedade, diluindo a participação da empresa britânica. Os investimentos associados aos projetos serão feitos na proporção da participação das empresas no bloco no qual a unidade for instalada.

Os projetos deverão ser entregues até 2011 e as sócias na joint venture analisarão a viabilidade econômica comparada aos gasodutos. Caso a iniciativa seja aprovada, uma nova licitação entre os projetos será feita em abril de 2011 e o consórcio vencedor deverá entregar a unidade até julho de 2015, para conexão no projeto piloto de produção que será desenvolvido pela Petrobras.

" Não há decisão (se o projeto de liquefação de gás natural será aplicado) porque temos que ver como se comportará o projeto, mas compartilho a visão de que é possível " , disse Maria das Graças, em referência à afirmação feita hoje pelo diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, de que o projeto seria implantado para o segundo piloto do pré-sal da Bacia de Santos. " Nos libertamos de sermos reféns dos gasodutos " , acrescentou.

Petrobras e BG não revelaram os consórcios que serão formados para apresentação dos projetos, mas Maria das Graças revelou que foram convidadas para participar as empresas SBM, Modec, Technip, KBR e Saipem. " Elas montaram os consórcios, mas temos que esperar as propostas " , disse a diretora.

O presidente da BG Brasil, Nelson Silva, afirmou que o Brasil deverá representar cerca de um terço da produção total da BG no mundo depois que os campos do pré-sal atingirem o pico de produção. A empresa tem participação em sete blocos no Brasil, todos com a Petrobras como parceira. Atualmente, a BG produz 648 mil barris de óleo equivalente no mundo, sendo que 70% do total é gás natural e os outros 30% em óleo. Até 2020, a empresa planeja investir US$ 20 bilhões no país.

Maria das Graças acrescentou que, devido à inovação do projeto, que é inédito no mundo, o conteúdo nacional da unidade de liquefação deve ser baixa e explicou que, por enquanto, não há definição sobre como será comercializado o gás que passar pela unidade de liquefação.

Ela também confirmou que, caso a Petrobras seja chamada a gerar energia elétrica em suas usinas térmicas, a empresa terá condições de honrar o chamado do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em março, a capacidade geradora das usinas da estatal atingirá 7 mil MW.

" Não fomos chamados a discutir esse assunto. Meu maestro é o ONS e quando ele chama eu tenho que atender " , ressaltou.

(Rafael Rosas | Valor)

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