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17/11/2009 - 09h03

Presidente da Suzano diz que celulose deve subir, mas não neste ano

SÃO PAULO - O presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto, avalia que as condições de mercado são favoráveis para novos aumentos no preço da celulose, mas considerou como pouco provável a realização de reajustes até o fim deste ano, por conta de fatores sazonais.

Segundo o executivo, se a combinação de baixos estoques e recuperação de demanda permanecer, o setor vai inevitavelmente reajustar seus preços, mas ainda é difícil prever quando isso vai ocorrer.

Durante seminário promovido em São Paulo pela Risi, ele destacou que os estoques de celulose no mercado internacional, que alcançaram um giro de 60 dias, já voltaram a patamares inferiores aos vistos no período pré-crise, caindo para um consumo de 29 dias em setembro.

Concomitantemente à redução dos estoques, o setor já está retomando os níveis de utilização de capacidade instalada próximos de 90%, após ver esse uso recuar para faixa de 80% a 85% durante a crise. " Nesta crise, os números de utilização da capacidade ficaram muito parecidos com os vistos em outras crises " , disse.

O fator cambial, no entanto, ainda é visto como um risco aos produtores de papel e celulose, assim como a possibilidade de excesso de estoque, que poderia frear o processo de recuperação de preços. Números da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) mostram que, no segmento de papéis revestidos, por exemplo, a participação de mercado dos importados chegou a 53% em setembro, após fechar o ano passado em 43%.

Assim, com maior cautela, Carlos Augusto Lira Aguiar, presidente da Fibria, empresa resultante da fusão entre VCP e Aracruz, afirmou que não sabe se há espaço para novos aumentos. " Por outro lado, é certo que não temos mais espaço para novas quedas " , apontou.

A depreciação do dólar também pesa nas receitas em reais dos exportadores no setor. Atualmente, o preço da tonelada de celulose no porto europeu - em valores CIF (sigla em inglês para custo do seguro, seguro e frete) - está ao redor de US$ 700,00, acima da média histórica de US$ 588,00, em uma perspectiva de dez anos. No entanto, Maciel Neto pondera que, quando convertido pela taxa de câmbio de R$ 1,71, o valor da tonelada em moeda brasileira fica em R$ 1.194,00 - ou seja, abaixo do valor médio histórico de R$ 1.359,00, tendo-se como base de cálculo uma cotação média de R$ 2,31 para cada dólar.

(Eduardo Laguna | Valor)

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