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18/11/2009 - 18h57

Brasil poderá produzir 2 bilhões de litros de bioquerosene em 10 anos

RIO - O Brasil poderia garantir, dentro de dez anos, uma produção de até 2 bilhões de litros de bioquerosene para uso na aviação civil. A projeção foi feita hoje por Roel Collier, diretor geral no Brasil da Amyris - empresa americana responsável pelo desenvolvimento do produto a partir da cana-de-açúcar - que estima o desvio de uma parte da expansão da produção de álcool nos próximos anos para a fabricação do bioquerosene.

O executivo acrescentou que são consumidos 250 bilhões de litros de querosene de aviação (QAV) anualmente na aviação civil, enquanto a produção total de etanol no Brasil gira em torno de 25 bilhões de litros. "É impossível produzir isso com biocombustíveis hoje. Se toda capacidade de etanol fosse para o QAV daria uma mistura de 10%", mostrou Collier.

A companhia americana fechou um acordo com Azul, Embraer e GE para testar, em 2012, o bioquerosene em uma aeronave comercial. Collier ressaltou que os custos de produção tendem a acompanhar os da cana-de-açúcar e garantiu que o poder calofírico do produto é equivalente, ou maior, que o do QAV padrão. O executivo destacou ainda que o novo combustível acompanha as emissões de dióxido de carbono do álcool, e são de 80% a 90% inferiores às do QAV.

Os executivos das empresas envolvidas no acordo ressaltaram a importância do uso de combustíveis ambientalmente corretos e lembraram que a indústria de aviação responde por 2% do total de emissões no mundo, com projeção de chegar a 3% em 2050.

O vice-presidente de operações da Azul, Miguel Dau, explicou que o aumento previsto para as emissões do setor não significa que a indústria de aviação seja vilã. Para ele, as regras mais rígidas para certificação de equipamentos e combustíveis torna mais difícil implementar mudanças. Dau deu o exemplo da implantação da TV ao vivo nos voos da Azul, que só deve estar disponível no próximo ano devido à demora na certificação da antena.

"O transporte aéreo não é o vilão. Não podemos fazer nada de forma açodada e a certificação é algo que tem que ser feito com tranquilidade", afirmou Dau, lembrando que o cuidado com segurança exige testes e aprovações muitas vezes desnecessários em outros modais de transporte.

O diretor de estratégias e tecnologias para o meio ambiente da Embraer, Guilherme Freire, afirmou que a tendência em termos de metas para o setor é que a Conferência do Clima, que ocorre na Dinamarca em dezembro, defina as regras gerais e a International Civil Aviation Organization (Icao) cuide da aplicação das regras.

"Há possibilidade de a aviação internacional acompanhar a tomada de decisões ligada à Convenção do Clima, mas o dia-a-dia dessa aplicação será determinada pela Icao", explicou Freire.

(Rafael Rosas | Valor)

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