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18/11/2009 - 15h45

Ministros do Brasil e Argentina se reunirão a cada 45 dias

BRASÍLIA - Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Cristina Kirchner, decidiram hoje que seus ministros de Relações Exteriores, Desenvolvimento e Fazenda deverão se reunir a cada 45 dias, para tentar resolver problemas que prejudiquem a relação comercial bilateral. O anúncio foi feito durante almoço com ministros, equipes técnicas e empresários argentinos e brasileiros, no Palácio do Itamaraty. Segundo o presidente Lula, interessa ao Brasil " uma Argentina forte e industrializada. E também deve interessar à Argentina que o Brasil cresça e se fortaleça " .

" O protecionismo não é solução; apenas cria distorções difíceis de se resolver " , continuou Lula, numa referência indireta às barreiras comerciais impostas pela Argentina ao longo deste ano, numa tentativa de proteção da crise.

" Nossa resposta à crise deve ser " mais comércio e mais investimento " , Lula prosseguiu, durante o brinde à delegação do país vizinho. Ele lembrou que 70% das exportações argentinas têm como destino o Brasil. " Em 2009, de cada dez automóveis exportados pela Argentina, nove vieram para o Brasil " , disse Lula. Cristina Kirchner também ressaltou a importância do grupo de trabalho, cujos ministros deverão se encontrar a cada 45 dias. Segundo ela, será " um instrumento muito importante para superar nossas pequenas diferenças, com mais celeridade e eficácia " .

" Necessitamos do desenvolvimento " das duas economias, disse a presidente argentina. " Ambos somos sócios, embora tenha um sócio maior e um sócio menor " , porque a Argentina não pode concorrer com a escala da economia brasileira, disse Kirchner.

A reunião entre Lula e Cristina Kirchner é parte de acerto entre os dois de se encontrarem a cada 90 dias, para um batimento sobre os interesses conjuntos. Kirchner ressaltou a compra de 20 aeronaves da Embraer para a frota da estatal Aerolíneas Argentinas. Lula pediu aos empresários brasileiros presentes que na próxima reunião conjunta em fevereiro, em Buenos Aires, investimentos e financiamentos brasileiros na Argentina sejam os temas principais.

Ele estava acompanhado dos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores), Guido Mantega (Fazenda), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Minas e Energia (Edison Lobão), Hélio Costa (Comunicações), além dos presidentes do Senado José Sarney e da Câmara, Michel Temer e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Lula aproveitou ainda para, em nome do Brasil e da Argentina, fazer um protesto em nome do presidente deposto de Honduras. " Exigimos a pronta restituição do presidente Manuel Zelaya. Caso contrário, as eleições de 29 de novembro estarão comprometidas, e estará lançado um precedente extremamente perigoso. Este é o consenso de toda a América Latina e Caribe. " (Azelma Rodrigues e Paulo Lyra | Valor)

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