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18/11/2009 - 20h47

Tributo sobre ADRs não vai deter câmbio, dizem economistas

SÃO PAULO - A decisão do governo de cobrar um tributo de 1,5% sobre as emissões dos recibos lastreados em ações do Brasil no exterior tende a ser inócua no propósito de conter a valorização cambial, de acordo com as primeiras impressões dos analistas de mercado após o anúncio feito na noite de hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo Flávio Serrano, economista-sênior do Banco Espírito Santo (BES), a taxa de câmbio continuará reagindo à combinação de sólidos fundamentos da economia e empresas do país com o enfraquecimento do dólar no mercado internacional de divisas. Ou seja, a conjuntura que causou a valorização do real persiste. " No curtíssimo prazo, poderemos assistir à apreciação do dólar, mas a medida não altera o processo de valorização do real " , afirma.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, acredita numa reação negativa dos agentes, tanto na Bolsa como no mercado de câmbio, nos próximos dias, dado que a medida comprova a disposição do governo de intervir diretamente no mercado de capitais. " Em um primeiro momento, isso deve distanciar os estrangeiros, mas o governo tem a necessidade de fechar as lacunas abertas com a taxação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no mercado brasileiro " , diz.

Com o tributo sobre as emissões de DRs (Depositary Receipts) - que no caso são recibos lastreados em ações brasileiras -, o governo consegue dar maior isonomia entre os mercados daqui e do exterior. Isso porque os investidores estrangeiros estavam buscando esses recibos para escapar da taxação de 2% aplicada nas aplicações no Brasil. Agora, uma alíquota de 1,5% do IOF incidirá, segundo Mantega, no momento em que as ações forem transferidas para um banco custodiante no Brasil.

De acordo com Agostini, a medida tende a reforçar as expectativas sobre novas medidas do governo para conter a valorização do real, o que poderá levar o dólar para cima no curtíssimo prazo. No entanto, o analista destaca que a medida não acarreta mudanças estruturais no mercado de câmbio e, após o mercado absorver a decisão de hoje, o dólar seguirá se depreciando ante o real, em linha com o movimento da divisa norte-americana em relação a outras moedas. (Eduardo Laguna | Valor)

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