UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

19/11/2009 - 17h19

Aumento do gasto público ajudou a afastar crise do Brasil, diz Ipea

BRASÍLIA - O aumento do gasto público foi crucial para o país passar bem pela crise financeira global, na visão do assessor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Milko Matijascic. "Evitamos o desastre em 2009", disse, ponderando que o governo deve se preocupar com "a sustentação do crescimento" em 2010, principalmente com o desempenho da fraca balança comercial.

A avaliação foi feita na apresentação do estudo "Crise Internacional: balanço e possíveis desdobramentos". Matijascic afirmou que "é muito difícil dizer, com 100% de certeza, que o Brasil saiu da crise. Mas se formos arriscar em cima dos dados do momento, eu diria que sim. Que o Brasil já venceu as etapas mais difíceis da crise, da forma que ela se apresentou até o momento." Ele disse que o Brasil teve efeitos minimizados porque "colocou o social adiante da crise", aumentando os gastos para programas sociais, por exemplo. "Você só retira recessão com gasto público direto. Não estou dizendo ao governo: saiam e gastem. Mas o Brasil ainda foi extremamente comedido, o que menos comprometeu recursos fiscais com a crise, conforme o FMI. Certamente, a ação do Estado foi muito importante nesse sentido", disse ele, citando o Fundo Monetário Internacional.

Aliás, o balanço do Ipea sobre a crise é uma análise em cima de dados dos vários organismos multilaterais como o FMI e o Banco Mundial, de bancos centrais e de órgãos internos, como o IBGE e a BM & FBovespa.

Para o técnico do Ipea, "a crise atual é uma tormenta muito perigosa, cujos riscos ainda não estão afastados totalmente". Ele cita que, para 2010, a inflação não é preocupação doméstica, e sim como sustentar a retomada de fôlego da atividade.

"Temos uma balança comercial retornando ao padrão de vender mais commodities do que manufaturados, níveis de desemprego caindo, mas em níveis ainda bastante altos", disse Matijascic. Ele lembra que a contração das economias globais e as políticas protecionistas decorrentes são riscos para as exportações brasileiras.

"Tudo indica que o desastre foi evitado, que não houve um colapso das economias e que os fatos promoveram o merecido descrédito à desastrada ideia de Estado mínimo, da desregulamentação como principio absoluto e de um ambiente institucional em que o social foi submetido ao econômico", conclui a pesquisa do Ipea.

(Azelma Rodrigues | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host