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20/11/2009 - 12h59

Libra planeja investir R$ 440 milhões para unir terminais em SP

RIO - O grupo Libra movimenta-se para tornar realidade, a curto prazo, projeto de criar um grande terminal de contêineres no porto de Santos (SP), em investimento estimado em R$ 440 milhões. O grupo protocolou o projeto, chamado de Libra-Santos, na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e na Secretaria Especial de Portos (SEP). O objetivo é fazer com que o empreendimento seja incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O projeto foi apresentado também à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e ao BNDES, disse Gustavo Pecly, presidente da Libra Terminais.

Especialistas na área consideram, porém, que a implementação do projeto da Libra para Santos não é simples. Para sair do papel, será preciso um acordo com a Codesp sobre uma dívida em discussão na justiça relacionada ao contrato de concessão de um dos terminais da empresa no porto, o T-35, que não foi implementado de acordo com o edital. O Valor procurou a Codesp, mas a assessoria de imprensa disse que o presidente da empresa não se manifestaria sobre o projeto da Libra enquanto ele estiver sob análise.

Em nota, a Codesp disse que a unificação dos terminais da Libra não será tratada de forma isolada: " A Codesp estuda o assunto juntamente com todas as outras questões que envolvem a Libra no Porto de Santos. Estão sendo verificados, por exemplo, os critérios para apresentação desse trabalho, a fim de que ele seja formatado em consonância com os dispositivos legais existentes. " Segundo uma fonte do setor, a viabilidade do Libra-Santos também passaria por uma repactuação do contrato de concessão, além da definição de investimentos. Especialista em regulação disse que a Antaq deve analisar o impacto do projeto da Libra sobre a concorrência, considerando plano da empresa de utilizar o terminal 33, especializado na exportação de açúcar, para operações com contêineres. O grupo Libra fechou a compra do T-33 em julho.

O projeto Libra-Santos prevê a unificação dos quatro terminais da empresa no porto (33, 34/35 e 37) para criar um cais contínuo com 1,7 mil metros de extensão, o que significará, se aprovado, ampliação de 300 metros em relação ao comprimento atual (1,4 mil metros). Para integrar os terminais, a Libra quer autorização para construir novo berço para navios, o T-36, que deve exigir R$ 200 milhões em infraestrutura e cerca de R$ 140 milhões em equipamentos. O T-36 permitiria ligar os terminais 34/35 ao 37, hoje separados por faixa de terra em que não há infraestrutura construída. O projeto também busca a retirada de uma antiga linha férrea da Codesp que iria criar mais 18 mil metros quadrados para o terminal. A área total dos terminais da Libra hoje, considerando-se o T-33, é de 142 mil metros quadrados. Com a interligação física dos terminais e obras como a retirada de trilhos e a derrubada de muros, a área poderia chegar a 200 mil metros quadrados, disse Pecly. A Libra acredita que a integração dos terminais permitiria mais do que duplicar a capacidade de movimentação de cargas da empresa em Santos em um período inferior a dois anos.

Hoje a Libra Terminais, uma das três unidades de negócios da Libra Holding, tem capacidade para movimentar 900 mil TEUs (contêiner equivalente a 20 pés) por ano em Santos. A ideia é expandir essa capacidade para 2,1 milhões de TEUs por ano, segundo informou a assessoria de imprensa da empresa. Especialistas em terminais de contêineres dizem que o projeto faz sentido porque escala nesse setor é fundamental. O plano pode ser visto como uma resposta ao desenvolvimento de novos projetos de contêineres no porto de Santos, o principal do país.

Até hoje o maior concorrente da Libra é a Santos Brasil. As duas disputam o mercado de contêineres de forma acirrada. A Santos Brasil ampliou recentemente o seu cais no porto paulista, o que foi questionado pela Libra. Um observador do setor disse não acreditar que agora a Santos Brasil tente impedir a expansão da Libra. A visão de consenso no setor é de que os navios de contêineres aumentaram de tamanho, o que impede os terminais de atracarem o mesmo número de embarcações de dez anos atrás. Em alguns casos, portanto, a expansão dos terminais seria a forma de restabelecer as condições anteriores dos contratos de concessão.

(Francisco Góes | Valor)

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