UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

23/11/2009 - 15h02

Ahmadinejad é recebido no Itamaraty por manifestantes

BRASÍLIA - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi recebido hoje, ao chegar ao Palácio do Itamaraty, por cerca de 100 manifestantes. No grupo, havia ativistas favoráveis e contrários à presença do líder iraniano no Brasil. Entre os favoráveis estão os que criticam o chamado imperialismo norte-americano e apreciam os governos do venezuelano Hugo Chávez e do boliviano Evo Morales. O grupo dos que são contra a visita é formado por representantes da comunidade judaica, entre eles um sobrevivente do Holocausto.

O aposentado Ben Abraham passou por diversos campos de concentração durante um período de cinco anos e meio - incluindo o de Auschwitz, na Polônia. Abraham classificou as declarações de Ahmadinejad de "absurdas" - o iraniano nega a ocorrência do Holocausto (execução em massa de judeus e de outras minorias durante o nazismo). Segundo o judeu, alguns campos de concentração que ainda permanecem intactos servem de alerta para a humanidade.

"O presidente do Irã, mesmo com sobreviventes do nazismo, como eu e outros, nega o Holocausto. O tempo está passando. Quando o nazismo começou, eu tinha 14 anos. Vou completar 85 anos. Enquanto houver sobreviventes do nazismo, está bom. Mas e depois? Como negar essas atrocidades?", reagiu Abraham.

Durante as manifestações, o presidente da Juventude Judaica Organizada, Gilberto Ventura, afirmou que as críticas a Ahmadinejad não dizem respeito à visita em si, mas consistem em trazer ao povo e ao governo brasileiros a consciência de questionar o que ocorre no Irã e que tipo de valores o presidente iraniano representa.

"A idEia não é chegar aqui e dizer ao Lula que não o receba. O recado é: Abra os olhos. Já houve momentos na história com pactos absurdos, como entre Stalin (Josef Stalin, líder da União Soviética de 1922 a 1953) e Hitler [Adolf Hitler, líder do Nacional-Socialismo alemão, de 1933 a 1945] . No Brasil, o recebemos (Ahmadnejad) de braços abertos, mas é importante ouvir o outro lado. Existe uma falta de diálogo real, de conhecer quem é o outro de verdade", afirmou Ventura. O coordenador nacional do Movimento Democracia Direta, Acelino Ribeiro, levantou faixas de boas-vindas ao líder iraniano e disse que a visita deve ficar marcada na história de ambos os países. Ele se diz convencido de que Lula e Ahmadinejad vão discutir propostas que contribuam para um projeto de luta pela paz mundial. "Ahmadinejad poderá construir esse projeto na defesa da soberania do povo iraniano e do povo latino-americano, principalmente no Brasil e na Bolívia, países que dispõem de recursos naturais cobiçados pelo imperialismo mas que podem melhorar a vida e as condições de nossos povos." Ribeiro mostrou-se favorável, inclusive, à visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã - que deve ocorrer entre 10 e 16 de março do próximo ano. Segundo ele, Lula e Ahmadinejad podem facilitar o caminho para que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negocie com o Irã o uso "pacífico" do programa de energia nuclear.

(Agência Brasil)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host