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26/11/2009 - 16h23

Com dados sobre aquecimento econômico, juros sobem na BM & F

SÃO PAULO - Os indicadores de aquecimento da atividade econômica brasileira, somados a preocupações dos agentes acerca de um default (calote) em Dubai, puxaram para cima a curva dos juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

O ajuste foi significativo tanto nos contratos mais curtos como nos mais longos, uma vez que os dados sobre inflação acima das expectativas, a queda na taxa de desemprego e as medidas de benefícios fiscais anunciadas pelo governo nos últimos dias ajudaram a puxar as apostas sobre o aperto da política monetária para um período mais curto.

Na ponta mais curta da curva, o contrato de Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro avançou 0,01 ponto, para 8,645%, enquanto o DI para julho mostrou elevação de 0,06 ponto, a 9,13%.

Entre os contratos mais longos, o DI para janeiro de 2011 subiu 0,08 ponto, para 10,28%, com o maior movimento da sessão (348.755 contratos, equivalentes a R$ 31,335 bilhões). Altas mais expressivas foram vistas no DI para janeiro de 2012 (aumento de 0,11 ponto, a 11,71%) e no contrato para o mesmo mês de 2013 (avanço de 0,1 ponto, para 12,36%). Por sua vez, o DI com vencimento no primeiro mês de 2014 teve elevação de 0,08 ponto percentual, a 12,6%.

O giro financeiro da sessão recuou 1,17% em relação a ontem, chegando a R$ 63,963 bilhões (US$ 37,033 bilhões), equivalentes a 720.440 contratos.

Os analistas dizem que diversos fatores explicam o comportamento dos juros, a começar pela inflação de 0,44% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) em novembro. " As projeções mais pessimistas apontavam uma alta de 0,37% " , afirma um gestor de ativos, que prefere não se identificar.

Ao índice de inflação se somaram a baixa de 7,7% para 7,5%, entre setembro e outubro, na taxa de desemprego medida pelo IBGE nas seis maiores regiões metropolitanas do país e as medidas de benefícios fiscais anunciadas pelo governo nos últimos dias aos setores de construção civil, de automóveis e de móveis.

De acordo com o gestor, as notícias " acenderam a luz amarela aos mais otimistas " , que não projetavam uma elevação da Selic em um período tão curto " . Segundo ele, as apostas de um incremento da taxa já no primeiro semestre de 2010 subiram.

Não obstante, a fonte pondera que as preocupações do governo sobre a valorização do real poderão representar um obstáculo à tendência de alta dos juros. " Ainda não está claro se o governo será leniente com a inflação para não incentivar a entrada de dólares no país " , afirma.

(Eduardo Laguna | Valor)

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