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26/11/2009 - 12h41

Dados sobre aquecimento econômico pressionam juros futuros para cima

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros voltaram a apresentar ajustes de alta significativos na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), na sequência de dados sobre a inflação acima das expectativas, queda na taxa de desemprego e medidas de benefícios fiscais anunciadas pelo governo nos últimos dias.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro subia 0,01 ponto, para 8,649%, enquanto o DI para julho mostrava elevação de 0,06 ponto, a 9,13%.

Na ponta longa da curva, o contrato para janeiro de 2011, o mais líquido, avançava 0,08 ponto, chegando a 10,28%, e o DI com vencimento no mesmo mês de 2012 operava a 11,68%, uma alta de 0,08 ponto percentual. Também sobem o contrato para janeiro de 2013 (alta de 0,1 ponto, para 12,36%) e o DI com vencimento no primeiro mês de 2014 (elevação de 0,07 ponto, a 12,59%).

Os indicadores de aceleração da atividade econômica explicam o movimento e ajudam a puxar as apostas do mercado sobre a aguardada elevação da taxa Selic para um período mais curto.

Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou de 0,18%, na leitura de outubro, para 0,44% neste mês. Fora isso, o instituto reportou alta - de 7,7% para 7,5% entre setembro e outubro - na taxa de desemprego apurada nas seis maiores regiões metropolitanas do país.

" Do lado doméstico, tudo contribui para essa puxada " , afirma Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Crédit Agricole, que destaca ainda que as medidas de prorrogação do IPI reduzido aos setores de construção civil e de automóveis, além da isenção do tributo nas vendas de móveis, também ajudam a levar para cima a curva de juros. " Isso faz pouco sentido econômico, uma vez que o país já vive um momento de franca recuperação " , diz Caramaschi. " A leitura do mercado é de que essas medidas aumentam o peso sobre a política monetária, com possibilidade de uma antecipação na alta dos juros " , acrescenta.

O analista aponta também que os benefícios fiscais reforçam a leitura de que os objetivos políticos do governo, com a proximidade da eleição, poderão pressionar a política monetária. " O governo dá mais estímulo à economia no momento em que já se discute como evitar um superaquecimento em 2010 " , afirma.

(Eduardo Laguna | Valor)

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