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26/11/2009 - 14h05

Dívida líquida deve fechar 2009 em 44% do PIB, reitera BC

BRASÍLIA - A revisão para cima da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2007 deverá favorecer a dívida líquida do setor público, cuja previsão é de fechar o ano em torno de 44% do PIB. De acordo com o Banco Central (BC), essa relação ficou em 44,8% em outubro e deve ser mantida para novembro.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que os números de novembro já serão ajustados com base novo número do PIB de 2007, cuja variação real sobre o ano anterior saiu de 5,7% para 6,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). " Sem dúvida, você vai ter um ganho por força da revisão do PIB de 2007 " , ele disse.

Depois de subir de 44% em agosto para 45% do PIB em setembro, a dívida caiu em outubro para 44,8%. Lopes disse que a tendência é de estabilidade neste mês, mas lembrou que, sazonalmente, em dezembro a divida cresce porque o governo tem mais despesas do receitas e não consegue economizar para pagar os juros da dívida.

Lopes lembra que a projeção para a dívida em 44% do PIB é de meados deste ano, contando com uma taxa de câmbio a R$ 1,80, que agora está ao redor de R$ 1,70. Mas o ajuste do PIB deve compensar a piora nos efeitos do câmbio, explicou ele.

No próximo mês, o BC deve revisar as metas fiscais. Por enquanto, para 2010 está mantida a queda na relação dívida líquida do setor público versus PIB para 41%.

A valorização do real sobre o dólar americano afeta a dívida para cima, ampliando a conta de juros, lembrou Lopes. No mês passado, por exemplo, os juros somaram R$ 14,8 bilhões, acima dos R$ 8,23 bilhões de outubro de 2008.

A piora nos juros reflete a apreciação cambial mensal de 1,92%. Segundo o BC, ativos cambiais como parcela do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e empréstimos ao BNDES perdem receitas quando a taxa de câmbio cai. " Ou seja, aumenta a despesa líquida de juros " , disse Lopes.

Os dados da autoridade monetária apontam que esse efeito cambial sobre os juros gerou despesas de R$ 980 milhões em outubro, e um acumulado de R$ 7,662 bilhões nos 10 primeiros meses do ano.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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