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26/11/2009 - 14h50

Para Fiesp, câmbio é uma ameaça à indústria

SÃO PAULO - O câmbio é uma ameaça que se desenha para a indústria paulista. A afirmação foi feita hoje por Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na avaliação da instituição, a valorização do real frente ao dólar gera grandes preocupações em um momento em que a indústria mostra bons sinais de recuperação.

O Indicador de Nível de Atividade (INA), divulgado pela manhã pela Fiesp, mostrou que a situação da indústria paulista continua a melhorar, com o indicador marcando 4,5% de alta em outubro frente ao mês antecedente, nos dados sem ajuste sazonal.

No entanto, no acumulado de janeiro a outubro, a variação ainda é crítica, com queda de 11,6% em bases anuais de comparação. Uma das questões que limita o retorno da atividade aos níveis anteriores à crise, na opinião da instituição, é justamente as dificuldades do setor exportador.

O INA para os veículos automotores, por exemplo, avançou 17,2% na passagem de setembro para outubro, sem ajuste sazonal, um resultado "muito bom", na opinião de Francini. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, no entanto, foi registrado um recuo de 13,8%. A Fiesp destacou ainda o balanço comercial do setor, que se mostra deficitário. No período de janeiro a outubro, o saldo total de veículos automotores ficou negativo em US$ 2,26 bilhões, enquanto no mesmo período do ano passado, o setor tinha registrado superávit de US$ 1,02 bilhão. No período, as exportações de veículos recuou em mais de US$ 3 bilhões, enquanto as exportações de partes de veículos caiu mais de US$ 2 bilhões. "Isso gera um sinal de inquietação. É um desequilíbrio e corremos o risco de mais crescimento do déficit no balanço de veículos", alertou Francini. A Fiesp, grande apoiadora da medida governamental de taxar capital externo, acredita que as iniciativas até agora tomadas pelo governo não são suficientes. "Nós apoiamos porque o governo deu uma amostra de que a taxa de câmbio é um dos focos da política econômica. Mas acredito que ele terá que tomar outras medidas", afirmou Francini. Segundo ele, a Fiesp está realizando estudos para encontrar soluções para amenizar os efeitos do câmbio sobre as exportações brasileiras. Diante da política monetária de manutenção da taxa básica de juro brasileira que tem se desenhado no Banco Central, uma questão que está em discussão na federação é a da exportação dos impostos que, se fosse eliminada, colaboraria com a competitividade dos produtos brasileiros. "Estamos debruçados sobre isso. É uma regra na OMC (Organização Mundial do Comércio) que não devem ser colocados impostos nas exportações. Esses nossos impostos estão sendo apropriados indevidamente", destacou Francini.

(Vanessa Dezem | Valor)

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