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27/11/2009 - 08h50

Em meio a crise, Honduras realiza eleições

Honduras realiza neste domingo eleições gerais, sem a volta ao poder do presidente deposto em junho, Manuel Zelaya. A eleição divide os países americanos: a maior parte diz que não reconhecerá o resultado, mas os EUA e alguns outros países apoiam o pleito como forma de resolver o impasse político no país.

Porfirio " Pepe " Lobo, do Partido Nacional, de direita, tem 37% das intenções de voto, segundo pesquisas realizada pelo CID-Gallup. Em segundo lugar, Elvin Santos, do Partido Liberal, o mesmo de Zelaya, tem 21%.

Lobo, de 61 anos, vem de uma família de políticos, com negócios no setor agropecuário. Formado em administração pela Universidade de Miami, nos EUA, é deputado há quase 20 anos e foi presidente do Congresso de 2002 a 2006. Em 2005, perdeu a eleição presidencial para Zelaya, mas teve uma votação significativa, obtendo 46% dos votos.

Santos, de 46 anos, tem uma empresa de construção. Foi vice de Zelaya até dezembro de 2008, quando renunciou para se dedicar à candidatura à Presidência.

Além de votar para a Presidência, os 4,6 milhões de eleitores (a população é de 7 milhões) renovarão o Congresso unicameral, que tem 129 cadeiras.

Zelaya pediu a seus aliados que boicotem o pleito. Entretanto, segundo a Corte Eleitoral do país, apenas 31 dos 13, 6 mil candidatos anularam o seu registro no órgão, ou seja, 0,22% dos inscritos.

Além disso, a Unificação Democrática (UD), principal partido de esquerda de Honduras, anunciou que participará da eleição. A decisão expõe um racha até mesmo entre as organizações que vêm defendendo a volta do presidente deposto. César Ham, candidato presidencial pela UD, disse que " se o partido não disputasse, seríamos considerados ilegais " . Atualmente a UD tem cinco deputados.

O único dos seis candidatos a presidente a renunciar foi o esquerdista independente Carlos Reyes, terceiro nas pesquisas com 6% das intenções de voto.

Segundo pesquisa do Gallup, 80% dos hondurenhos querem que a eleição ocorra.

Em 28 de junho, soldados retiraram Zelaya do palácio e o enviaram para o exílio por determinação da Suprema Corte. A Justiça o depôs porque o presidente tentou modificar a Constituição, por meio de um plebiscito, para abrir a possibilidade de reeleição.

Zelaya irritou muitos em Honduras ao aliar-se a Hugo Chávez - alguns creem que sua insistência em realizar plebiscito para abrir caminho para a reeleição presidencial se deve à influência do presidente venezuelano. O Congresso empossou Roberto Micheletti na Presidência, mas a comunidade internacional denunciou a medida e se recusou a reconhecer o governo de fato.

Zelaya voltou ao país em setembro e, desde então, está refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. A Suprema Corte de Honduras disse na quarta que ele não pode legalmente voltar ao poder, o que diminui as chances de sua restituição. O Congresso de Honduras deve decidir após a eleição se Zelaya reassume a Presidência.

(Valor, com agências internacionais)

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