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27/11/2009 - 12h22

FGV mapeia rentabilidade do setor imobiliário

SÃO PAULO - As decisões de investimentos no setor imobiliário brasileiro devem ganhar impulso a partir de dezembro, quando passará a circular no mercado uma medição trimestral da rentabilidade do segmento de imóveis. Batizado de Índice Brasileiro de Rentabilidade Imobiliária (Ibri), o indicador vem sendo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A intenção é melhorar as condições de análise para que os investidores, principalmente os institucionais, identifiquem oportunidades em imóveis no ramo corporativo.

O indicador está sendo desenhado por encomenda da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Priva (Abrapp) e promete mapear o rendimento de investimentos realizados em imóveis comerciais, galpões industriais e shoppings centers no país. " É um tipo de informação que todos querem ter " , afirma Paulo Picchetti, pesquisador da FGV e coordenador do índice.

Segundo Picchetti, muitos analistas internacionais citam textualmente o potencial desse tipo de investimento no mercado brasileiro. Eles lamentam, no entanto, a falta de um índice nesse formato, que tem como referência o indicador americano NPI (NCREIF Property Index). " Relatórios de consultorias internacionais sobre investimento imobiliário na América Latina, por exemplo, apontam explicitamente a ausência de informações como o ? calcanhar de aquiles ? para aportes no setor " , afirma o pesquisador. Além de comparar a rentabilidade do segmento imobiliário em relação a outros ativos, inclusive ante o mercado acionário, o índice também vai medir o desempenho de uma determinada carteira de um fundo perante a média do mercado imobiliário como um todo. Uma análise mais detalhada do indicador trará dados setoriais e mesmo regionais. Além disso, será feito um levantamento retroativo do rendimento desses investimentos de 2000 para cá.

Nos cálculos entram não só a rentabilidade do imóvel, como também a renda operacional obtida com aluguéis e alienações, por exemplo. Juntas, as duas informações vão compor o indicador de rendimento bruto e líquido ao longo do tempo.

Os números - que serão apresentados em um workshop, em São Paulo - referem-se a uma primeira versão do indicador. O objetivo é ampliá-lo ao angariar dados adicionais junto a outros participantes do mercado, como por exemplo bancos, corretoras, construtoras e mesmo consultorias imobiliárias. São interessados que podem ter acesso a esses números e, em contrapartida, contribuir com dados dos próprios investimentos que mantêm em carteira. A FGV vai assegurar o sigilo das informações colhidas por sua equipe.

Além da relevância comercial do referencial, Picchetti acredita que o indicador deve ajudar a complementar a análise da atividade no setor imobiliário no Brasil. " Qualquer outra pessoa que tenha necessidade de modelos macroeconômicos vai ver nisso uma variável de grande valor, pois o preço dos ativos é um dos componentes fundamentais para identificar ciclos ou mesmo movimentos especulativos e bolhas " , avalia Picchetti.

Durante a apresentação do índice e dos números iniciais, a Abrapp e a FGV apresentarão também um estudo com os cenários de longo prazo do setor imobiliário nos períodos de 2009 a 2016 e de 2016 a 2030. O workshop será realizado em São Paulo, no dia 1º, a partir das 9h, no Hotel Pestana, situado à Rua Tutoia, 77, no Jardim Paulista.

(Bianca Ribeiro | Valor) Ideiasnet tem proposta concorrente 5,2% maior Valor Econômico SÃO PAULO - As ações da Ideiasnet estão disputadas no mercado. Ontem, a corretora Máxima registrou na BMF & Bovespa a intenção de comprar os papéis da empresa a R$ 5,50 cada. Trata-se de uma interferência compradora no leilão do próximo dia 30, marcado por um grupo de cinco investidores e três conselheiros da empresa. O preço da nova proposta é 5,17% maior do que a oferta inicial desse grupo de investidores - de R$ 5,23. A regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determina que o preço de uma interferência compradora ou oferta concorrente deve ser no mínimo 5% maior. Depois disso, se houver uma disputa, os lances são livres e tantos quantos forem necessários.

Porém, enquanto a primeira oferta é para até a totalidade dos papéis da empresa, essa nova é apenas para 49,7% do capital, descontadas as ações em tesouraria. Não se sabe quem é o novo comprador. A Máxima é apenas a corretora que fará o negócio. Como é uma interferência compradora e não uma oferta concorrente, não há necessidade de divulgação do interessado. Nos preços conhecidos até o momento, o gasto mais elevado que o investidor por trás da Máxima pode ter é de R$ 275 milhões, enquanto o desembolso do grupo de oito investidores que primeiro se mobilizou pode ser de R$ 526 milhões.

No fim de outubro, o presidente do conselho de administração da Ideiasnet, Carlos Pedroza Aguinaga, o conselheiro Arthur Andrade Correia e o suplente Lars Fuhrken-Batista se afastaram da companhia, anunciando a intenção de organizar um grupo de investidores para adquirir a empresa. Em seguida, soube-se que os compradores seriam Centennial Asset, do empresário Eike Batista, Hankoe, Mercatto, Total Return Investment e Gustavia Investors.

Na época, circulavam rumores de mercado sobre um possível interesse de Batista na Ideiasnet, em função do aumento consecutivo de participações pela Centennial. A gestora já possui 8,4% do capital da empresa.

Por conta desses comentários, a oferta do empresário e do grupo com ele reunido já chegou desatualizada. Quando foi lançada, já era inferior ao preço do papel em bolsa. Contudo, o edital da oferta prevê o aumento de preços durante o leilão. O surgimento de uma nova proposta pode ser o gatilho que faltava para essa elevação. Na bolsa, as ações encerraram o pregão de ontem a R$ 5,40 - equivalente a um valor de mercado de R$ 543 milhões para a Ideiasnet. Desde outubro, as ações da Ideiasnet começaram a subir na Bovespa. A companhia encerrou setembro avaliada em aproximadamente R$ 400 milhões. Quem quiser vender as ações no leilão de segunda-feira, dia 30, precisa se habilitar em uma corretora até hoje, às 18 horas. Depois disso, na própria segunda, têm até as 12 horas para registrar no sistema eletrônico da bolsa sua decisão de venda.

Quem aderir ao leilão a R$ 5,23 automaticamente venderá pelo maior preço que eventualmente surgir na hora. No caso de uma nova proposta não ser para todas as ações registradas, será feito o rateio automático na proporção dos vendedores registrados.

Mas o vendedor pode registrar sua decisão de venda por um valor superior - e só será comprado se o seu preço for alcançado ou ultrapassado numa possível disputa.

Aquele que não registrar sua oferta de venda não poderá vender no meio do leilão. Uma vez registrada a decisão de venda, o acionista pode, antes do início do leilão, modificar apenas o preço pelo qual aceita alienar os papéis. Não pode, contudo, modificar a quantidade colocada à disposição.

(Graziella Valenti | Valor)

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