UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

27/11/2009 - 14h00

Leilão de linhas de transmissão tem deságio médio de 28,43%

SÃO PAULO - O leilão de oito lotes de linhas de transmissão e subestações realizados hoje pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) teve deságio médio de 28,43%, com participação majoritária das estatais, que arremataram, sozinhas ou em consórcios, seis dos oito lotes oferecidos. Para o diretor geral da Aneel, Nelson Hubner, ressaltou que o deságio médio ficou acima dos 20,31% observados no primeiro leilão deste ano e também superou a média de 25,32% de todos os leilões de linhas de transmissão e subestações registrada desde 1999.

" Os resultados são bastante positivos porque, no ano passado e esse ano, com a crise financeira, temíamos o afastamento de alguns investidores profissionais nesse setor. Mesmo assim nós tivemos até um deságio um pouco superior ao do ano passado " , frisou Hubner.

O diretor da agência reguladora destacou que a presença das empresas estatais não aumentou por conta do apagão ocorrido no dia 10 de novembro.

" Elas têm participado de todos os leilões da mesma forma. Esse leilão tem característica de lotes pequenos e quando há lotes pequenos dentro da área de atuação de uma empresa estatal federal, obviamente ela tem condição muito mais vantajosa de operar, porque aumenta muito pouco seus custos de operação. Elas são obviamente mais competitivas " , disse.

Furnas foi a principal vencedora do leilão, com três dos oito lotes arrematados sozinha ou com parceiros, e o presidente da estatal, Carlos Nadalutti Filho, afirmou que a forte participação da empresa - que deve investir cerca de R$ 680 milhões nos lotes arrematados - não se decidiu por causa da falha registrada em 10 de novembro nas linhas de transmissão da companhia.

" Não se participa de leilão em uma ou duas semanas. Uma coisa está desconectada da outra " , disse.

Já Hubner, da Aneel, espera que o preço da energia no leilão da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, fique abaixo do preço cobrado nas usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. Sobre o apagão, Hubner afirmou que a agência intensificará a análise a partir do relatório que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deverá entregar na semana que vem.

" Vamos usar uma série de consultores de universidades, porque o nosso interesse é que não tenha outra ocorrência deste tipo. Essa análise pode ser mais demorada. Cabe uma análise mais profunda não só sobre o que causou (o blecaute) mas por que o sistema não conseguiu isolar o problema " , explicou o diretor, que se mostrou calmo em relação à possibilidade de ser indiciado pela CPI da Aneel. " Tudo sobre o que tínhamos que prestar de informação, nós prestamos, dentro do objetivo de ter tarifa mais baixa para o consumidor. A Aneel sempre faz revisões de acordo com a legislação " , acrescentou.

(Rafael Rosas | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host