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27/11/2009 - 08h35

Vaga ao Senado leva ex-prefeito do Recife a deixar governo Campos

RECIFE - Rumo a uma reeleição dada como certa, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), vem lidando nos últimos dias com o maior revés político de sua gestão. Em caravana pelo interior do Estado desde a semana passada, o governador foi informado que um de seus aliados de maior peso, o ex-prefeito do Recife João Paulo Lima e Silva (PT), estava deixando o governo, onde ocupava havia quatro meses a Secretaria de Articulação Regional. Duas vezes prefeito da capital e muito popular na região metropolitana, João Paulo está entre os principais postulantes a uma das duas vagas para a disputa ao Senado na chapa do governador em 2010. Porém, a concorrência com colegas de governo - mais especificamente com o secretário de Desenvolvimento, Fernando Bezerra Coelho (PSB), que também quer uma vaga - acabou tornando insustentável a permanência de João Paulo. O ex-prefeito alegou, no entanto, motivos pessoais para sua saída.

Aos microfones, Eduardo Campos diz que os nomes dos candidatos ao Senado só serão conhecidos no ano que vem, depois das negociações com os partidos aliados e os palpites do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem o governador pernambucano é muito próximo. Principal aliado do PSB em Pernambuco, o PT estará na chapa majoritária em 2010, muito provavelmente com uma das vagas ao Senado. Ainda existe, porém, a chance de o partido indicar o vice-governador, cargo ocupado hoje por João Lyra Neto (PDT). Além de João Paulo, disputam a vaga destinada ao PT o ex-ministro da Saúde e atual secretário estadual das Cidades, Humberto Costa, e o deputado federal Mauricio Rands. Para a outra vaga, o mais cotado é o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto (PTB), mas Bezerra Coelho corre por fora. Segundo fontes do governo, João Paulo esperava que sua popularidade na região metropolitana lhe rendesse maiores garantias do governador de que seria um dos escolhidos. Como as garantias não vieram, Bezerra Coelho, que é muito próximo de Campos, sentiu-se à vontade para reivindicar seu espaço na disputa, o que também teria irritado o ex-prefeito, que preferiu sair. " Ele não precisa deste cargo. Estava ajudando o governador e uma disputa precipitada pelo Senado gerou intrigas desnecessárias " , disse o deputado federal Fernando Ferro, candidato derrotado à presidência do PT pernambucano e ligado a João Paulo. Ferro chegou, inclusive, a pôr em xeque a aliança com Campos. " Se o PSB pode ter candidato à Presidência da República, nós podemos ter governo " , afirmou, referindo-se à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) ao Planalto. A possibilidade, no entanto, foi descartada pelo presidente reeleito do PT local, Jorge Perez, que garantiu que a aliança com Eduardo Campos segue inabalada, para depois mencionar o isolamento que uma ruptura poderia causar, visto que a base aliada do governo conta com PDT, PTB, PCdoB e PP, além de mais 11 nanicos. " Se quiséssemos nos aventurar, ficaríamos sozinhos. Além disso, não há motivos para uma candidatura próxima. " Apesar de toda a repercussão em torno de sua saída do governo, a versão oficial de João Paulo é de que segue comprometido com a reeleição de Eduardo Campos e com a aliança em torno da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Para seus adversários, no entanto, o futuro do ex-prefeito é incerto.

Fora do governo estadual, João Paulo também não integra o comando do PT pernambucano, além de uma relação estremecida com seu sucessor na Prefeitura do Recife, João da Costa. " Ele se auto-isolou " , disse uma fonte do governo. Apesar de todos os imbróglios - e da grande irritação de Campos com o pedido de demissão à distância -, a grande popularidade de João Paulo na região metropolitana segue como um ativo muito importante, que pode ser indispensável para a campanha do governador, ainda mais se este tiver como adversário o senador e ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), principal nome da oposição no Estado e um dos políticos pernambucanos com quem João Paulo tem mais trânsito. Isso porque quando foi eleito, em 2006, Campos teve um desempenho bastante inferior junto ao eleitorado da capital. No primeiro turno, obteve 33,81% dos votos válidos em todo o Estado e 24,65% no Recife. No segundo turno, venceu com 65,36% dos votos dos pernambucanos, porém com preferência de 57% dos recifenses.

(Murillo Camarotto | Valor)

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