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30/11/2009 - 20h07

Aldo Mendes acha que há espaço para reduzir juro ao consumidor

BRASÍLIA - Afirmando que não vê "pedras no sapato" a enfrentar no novo cargo, o economista Aldo Luiz Mendes assumiu hoje a diretoria de Política Monetária do Banco Central (BC). Para ele, o cenário para a inflação em 2010 "é muito benigno", e há condições de reduzir o juro ao consumidor final.

Até a próxima sexta-feira, Mendes conviverá com Mário Torós, seu antecessor, em período de transição. Lembrando que sempre sonhou com o BC, onde seu pai foi funcionário de carreira, atuando na diretoria da área bancária, Mendes disse que a tendência é de que as taxas bancárias continuem a cair para o consumidor bancário. "Acho que a tendência do juro ao consumidor é cair sim, porque o spread têm tendência de redução. Um dos principais componentes do spread é a inadimplência, que é mais fácil de administrar", explicou o novo diretor.

Ao ser questionado sobre como a autoridade monetária pode manejar a inadimplência, Mendes citou como exemplo de influência positiva o projeto de lei que tramita no Congresso para criação do cadastro positivo. Por essa proposta, o bom pagador pode pagar juros menores.

Com linguagem clara e rápida de operador de mercado financeiro, Mendes citou ainda que a direção do BC pode "trabalhar" a divulgação de mecanismos como portabilidade de crédito e de conta bancária, onde o cliente pode transferir seus empréstimos ou sua conta para outro banco que cobre juros menores. Tais medidas podem também ajudar a reduzir o juro ao cliente bancário, segundo ele.

Funcionário de carreira do BB, onde ocupou as vice-presidências de Finanças e de Mercado e Relações com Investidores, Mendes refutou as análises de mercado que apontam aumento de inflação a médio prazo. "O cenário é muito benigno para a inflação no Brasil", disse o diretor. Ele não quis comentar se há necessidade de novas medidas para recomposição da baixa taxa de câmbio. Também não comentou as declarações de Torós ao jornal Valor Econômico, contando detalhes da ação do BC na crise financeira global. "Como regra geral, acho que um diretor do Banco Central tem que ter parcimônia na informação", disse.

E concluiu que seu grande desafio será "dar curso ao trabalho muito bem executado pelo Mário (Torós), um excelente economista. Na economia, vejo um cenário muito positivo à frente", disse ele.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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