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30/11/2009 - 19h19

DIs têm ajuste de baixa, mas curva ainda sugere Selic maior em 2011

SÃO PAULO - A curva de juros futuros passou por uniforme movimento de baixa no pregão desta terça-feira. Os vencimentos curtos seguiram o ajuste iniciado ontem e os longos vieram junto depois de alguma resistência.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 apontava baixa de 0,03 ponto, a 10,70%. Abril 2011 perdia 0,02 ponto, a 11,13%. Julho de 2011 marcava estabilidade a 11,57%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava 11,97%, desvalorização de 0,07 ponto. Ente os mais longos, janeiro de 2013 caía 0,05 ponto, a 12,27%. Janeiro de 2014 perdia 0,07 ponto, a 12,21%. Janeiro de 2015 apontava 12,14%, também baixa de 0,07 ponto. E janeiro de 2016 diminuía 0,06 ponto, a 12,14%.

Até as 16h10, foram negociados 1.103.670 contratos, equivalentes a R$ 98,28 bilhões (US$ 56,90 bilhões), queda de 16% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 197.990 contratos, equivalentes a R$ 17,49 bilhões (US$ 10,13 bilhões).

Segundo um gestor de renda fixa que preferiu não se identificar, apesar do ajuste de baixa, a curva futura ainda carrega cerca de 175 pontos-base de expectativa de alta na taxa Selic.

As apostas de juro maior estão concentradas em janeiro, mas o especialista acredita que o novo Banco Central (BC), que assume em 2011, não deve inaugurar sua gestão subindo a Selic, que atualmente está fixada em 10,75%.

Na visão do gestor, o que deixa o mercado incomodado é o comportamento da inflação, que depois de três meses rodando próximo de zero voltou a tomar corpo, distorcendo, também, a formação de expectativas.

No entanto, o gestor acredita que essa alta nos preços reflete muito o comportamento dos alimentos. E tal dinâmica deve começar a perder força já em meados de dezembro.

Outro ponto citado é a atividade. Não existe uma pressão de demanda, diz o especialista, ainda mais quando se observa que boa parte do crescimento de 2010 aconteceu no primeiro semestre do ano.

"Acredito, diferentemente do mercado, que a probabilidade de alta em janeiro é um pouco menor", diz o gestor, apontando que o BC deve esperar por um cenário mais claro de inflação antes de atuar no juros.

Fora isso, outro ponto relevante, é o aperto fiscal prometido pelo governo. A sinalização é de que ao menos no primeiro ano da nova gestão as contas não devem ser tão frouxas.

Na agenda do dia, os indicadores mostram retração da atividade na indústria. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) ficou em 84,5% em novembro, menor leitura desde março na série com ajuste sazonal, depois de marcar 85,2% em outubro.

Ainda de acordo com a FGV, a confiança da indústria recuou agora em novembro. O indicador que capta esse sentimento ficou em 112,7 pontos, contra os 114 pontos de outubro. Tal leitura é a menor desde novembro de 2009.

Já o Sensor da Fiesp, que mede as perspectivas dos empresários para alguns setores da economia, caiu de 52,6 pontos em outubro para 51,2 pontos agora em novembro, pior resultado desde junho de 2009. "O Sensor indica as preocupações das empresas com o cenário futuro. Não temos uma resposta para isso, mas creio que o alerta tem a ver com o aumento das importações. A demanda não está sendo atendida apenas pelo mercado interno", afirmou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini.

(Eduardo Campos | Valor)
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