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21/12/2009 - 15h58

Ibovespa tem recuperação, impulsionado por "blue chips" e construtoras

SÃO PAULO - Com um movimento positivo visto desde sua abertura, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu a melhora de humor internacional e corrigiu uma parte das perdas dos últimos dias.

Nesta jornada, o Ibovespa teve valorização de 1,41%, aos 68.214 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 6,911 bilhões, número inflado por leilões ocorridos com os papéis da Net e da Hypermarcas.

No mercado americano, pouco antes do fechamento, o índice Dow Jones subia 0,48%, enquanto o Nasdaq avançava 0,68% e o S&P 500 ganhava 0,60%.

O dia contou com poucas notícias e nenhum indicador relevante no cenário externo. Foram as declarações do vice-premiê da China, Wang Qishan, que incentivaram a atuação dos investidores na ponta compradora das bolsas.

O governante destacou a interação de seu país com a União Europeia e demonstrou interesse em reforçar mais a cooperação econômica mútua. A fala de Qishan deixou alguns analistas na expectativa de que a China poderá ampliar as compras de bônus das economias da zona do euro.

A declaração despertou o interesse por ativos de maior risco, como commodities e bolsas.

"A sinalização chinesa deu respaldo, traquilidade ao mercado. O mundo todo reagiu e aqui teve um pouco desta euforia. De toda forma, tivemos ainda algums operações de ?short squeeze' - cobertura de posição vendida, quando se aposta na queda de preços - com papéis como da Cyrela e Lojas Renner, que não contaram com justificativas de fundamentos para subir tanto", comentou o sócio-gestor da Humaitá Investimentos Frederico Mesnik.

Em sua avaliação, entretanto, esse movimento sofre com o chamado "efeito manada" e pode não ter sustentação para continuar.

O analista da Leme Investimentos João Pedro Brugger também acredita que o mercado brasileiro passou por um dia de ajuste, dadas as perdas recentes e o descolamento externo.

"Esta semana é de volume mais fraco e a tendência é que a Bovespa gire em torno de R$ 5 bilhões no máximo por dia. A agenda de hoje foi bem fraca, mas amanhã teremos dados do PIB americano e de vendas de imóveis no país. Se os dados vierem bons serão mais um indicador para puxar as bolsas", afirmou.

No âmbito corporativo, entre os papéis de maior peso sobre o Ibovespa, Petrobras PN subiu 0,78%, para R$ 25,77, e movimentou R$ 414 milhões, enquanto Vale PNA avançou 1,10%, a R$ 50,35, com total negociado de R$ 358 milhões.

As principais altas do índice partiram das construtoras Cyrela ON (6,73%, a R$ 19,8), Gafisa ON (5,02%, a R$ 11,5), MRV ON (4,93%, a R$ 15,1) e Rossi ON (4,83%, a R$ 13,88).

No sentido oposto, entre as maiores quedas do Ibovespa, que foram minoria nesta jornada, OGX Petróleo ON cedeu 1,63%, a R$ 18,63, BM&FBovespa ON caiu 1,79%, a R$ 12,59, Copel PNB recuou 2,23%, a R$ 41,16, e Cesp PNB teve baixa de 3,33%, a R$ 26,97.

A petrolífera concluiu a perfuração do poço OGX-24, que atingiu 4.750 metros. Embora a OGX tenha detectado indícios de hidrocarbonetos, eles não são comerciais.

Já a BM&FBovespa revelou ontem que seu orçamento para investimentos em 2011 será de R$ 235 milhões a R$ 255 milhões. Boa parte dos recursos será aplicada em tecnologia da informação.

Os maiores giros do dia ficaram com os papéis ON da Hypermarcas (0,43%, a R$ 23,20), que negociaram R$ 1,243 bilhão, e Net PN (-0,73%, a R$ 22,81), que movimentou R$ 611,4 milhões. Ambos os ativos passaram por leilões ao fim dos negócios.

Fora do Ibovespa, as ações Magnesita ON cederam 4,90%, para R$ 9,7. A empresa, terceira maior produtora de refratários do mundo, fará uma oferta primária de ações estimada entre R$ 255 milhões e R$ 425 milhões. Sua intenção é usar os recursos captados para diminuir o endividamento bancário.

(Beatriz Cutait | Valor)
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