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21/12/2009 - 18h49

Bovespa cai pelo quinto dia seguido e perde os 66 mil pontos

SÃO PAULO - O pregão que começou com ares de recuperação terminou como o quinto dia seguido de baixa para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Refletindo a forte baixa nas ações da Petrobras, o Ibovespa terminou o dia com queda de 1,30%, aos 65.925 pontos. Destaque para o giro financeiro de R$ 9,80 bilhões, sendo R$ 3,96 bilhões referentes ao exercício de opções. Vale lembrar que antes de fechar no menor patamar desde 13 de novembro, o índice chegou a subir mais de 1%, para 67.670 pontos. Tal sequência de baixa não era registrada desde o final de agosto. Para o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, o índice perdeu fôlego após o vencimento de opções sobre ações. Ainda de acordo com o especialista, a bolsa brasileira parece " cansada " , pois não consegue nem acompanhar o sinal externo, que hoje foi positivo, com ganhos superiores a 1% nos EUA e na Europa. Tal comportamento, segundo Machado, mostra que o investidor estrangeiro está tirando o pé do acelerador. Além do menor saldo agora em dezembro, os ativos mais operados pelos não residentes também perderam força. Deixando 2009 para trás, Machado se diz otimista com 2010. A economia americana confirma recuperação mesmo que de forma tímida e, por aqui, os direcionadores de mercado continuam sendo o crédito e o consumo. " Em um primeiro instante mantenho viés positivo, mas nada da exuberância irracional de 2009 " , resume o especialista. O ponto de incerteza, segundo Machado, é como esse crescimento baseado em demanda doméstica pode afetar a inflação. Fora isso, há preocupação com o ritmo de gastos do governo. " O nome do jogo é irresponsabilidade fiscal total. Mas enquanto os estrangeiros não perceberem isso, seguimos sem grandes problemas. " Os ativos da Petrobras e Vale, que concentram as séries de opções, também responderam pela virada do índice. Depois de ganhar mais de 1%, o papel PN da Petrobras caiu 3,24%, a R$ 35,20, o mesmo é válido para Vale PNA, que perdeu 1,32%, para fechar a R$ 40,90. Também entre os mais negociados, CSN ON devolveu os ganhos do período da manhã e caiu 3,26%, a R$ 53,60. Na sexta-feira a ação já tinha caído mais de 5%, depois do anúncio de compra de 100% do capital da portuguesa Cimpor, do setor de cimentos, por 3,86 bilhões de euros. À parte da instabilidade, Tim Part ON teve o maior ganho dentro do índice ao avançar 4,79%, para R$ 7,0, mas o volume negociado foi pouco expressivo. Braskem PNA também chamou compradores, ganhando 3,79%, a R$ 13,95. Vivo PN e Duratex ON também ganharam mais de 3% cada, para R$ 53,00 e R$ 15,40, respectivamente. No lado oposto, as units da América Latina Logística caíram 6,62%, para R$ 15,22. E um comentário positivo feito por corretora externa não ajudou as ações ON da JBS, que perderam 4,71%, a R$ 9,10. Usiminas ON e Cyrela ON recuaram mais de 3% cada. As ações PN da TAM, que chegaram a liderar os ganhos do dia subindo mais de 3%, fecharam com baixa de 1,26%, a R$ 35,25. A companhia anunciou a aquisição da Pantanal Linhas Aéreas por R$ 13 milhões. A ação PN da concorrente Gol cedeu 0,20%, a R$ 24,37, depois de subir a R$ 25,29.. Fora do índice, destaque para os ativos ON da OGX Petróleo, o papel caiu 1,58%, a R$ 15,55, com mais de R$ 280 milhões em negócios, ficando atrás apenas de Petrobras e Vale. O papel começou a ser negociado após o desdobramento de 1 um para 100 hoje. As ações da Steel do Brasil, empresa pré-operacional que está listada em bolsa, mas não fez oferta de ações, saltaram 22,78%, para R$ 9,00, mas o volume foi de apenas R$ 6 mil. Vale lembrar que na quinta-feira da semana passada, o controlador da empresa vendeu ações em leilão na Bovespa a R$ 7,33. As ações ON da Parmalat, empresa que se encontra em recuperação judicial, desabaram 20,12%, para R$ 6,19. O papel, que disparou 61% na semana passada, chegou a valer R$ 8,28 hoje, ou alta de 6,84%. A Laep Investments, dona da Parmalat, obteve autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para recomprar as ações da controlada e efetivar o fechamento de seu capital. Os recibos de ações da Laep recuaram 3%, a R$ 0,97. Os recibos de ação da Agrenco seguem ajustando para baixo. O papel caiu 14,46%, para R$ 2,01, com cerca de R$ 38 milhões em negócios. Na sexta-feira, o ativo já tinha caído mais de 11%, depois de uma disparada de 80% ao longo da semana. (Eduardo Campos | Valor)

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