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21/12/2009 - 08h25

Bovespa perdeu 3,57% na semana e dólar avançou 1,48%

SÃO PAULO - A sexta-feira foi um vale-tudo no mercado brasileiro. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não seguiu Nova York ou o preço das matérias-primas. O dólar bateu R$ 1,80, mas fechou o dia em baixa. Alguma coerência apenas no mercado de juros futuros, onde seguiu o ajuste de baixa depois da sinalização do BC de que a Selic permanecerá estável por mais tempo. A agenda de indicadores do dia não contou com dados relevantes. No campo corporativo doméstico, destaque para a CSN, que lançou uma oferta direta para comprar 100% do capital da portuguesa Cimpor, do setor de cimentos. Um negócio é de 3,86 bilhões de euros.

Em Wall Street, o dia também foi marcado por instabilidade, mas o Dow Jones conquistou alta de 0,22%, S & P 500 e Nasdaq subiram 0,58% e 1,45%, respectivamente. Já na semana, o Dow Jones cedeu 1% e o S & P recuou 0,4%, mas a bolsa eletrônica garantiu alta de 1%.

Por aqui, Bovespa ensaiou recuperação, mas a pressão vendedora voltou a falar mais alto. O Ibovespa terminou a jornada valendo 0,41% menos, aos 66.794 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,46 bilhões. Na semana, o índice caiu 3,57%, marcando a primeira perda semanal em seis semanas. No mês, a queda é de 0,37%. Nada muito representativo para uma alta acumulada de 77,8% em 2009.

Segundo o diretor de investimento da Victoire Finance, Mohamed Mourabet, períodos de instabilidade fazem parte do jogo. O mercado não é linear. " De forma geral, o cenário externo não nos preocupa demasiadamente. Não vemos espaço para alta de juros nos próximos três trimestres, porque o mercado de trabalho segue pressionado. Fora isso, a estrutura do desemprego é tal, que tem espaço para retomada sem gerar inflação. " Voltando o foco para a Bovespa, Mourabet avalia que o Ibovespa tem potencial de alta de 20% em 2010, mas setores e papéis específicos certamente darão retornos maiores.

" A dinâmica interna é onde temos maior visibilidade, não só em termos de valor, mas também em termos de inércia, o potencial de alta é maior " , disse.

No câmbio, o dólar operou praticamente o dia todo na mão inversa dos outros ativos. Enquanto o euro e as ações subiram, e a moeda americana teoricamente deveria perder valor, a cotação foi a R$ 1,80, algo que não acontecia desde o fim de setembro.

Já à tarde, quando o euro voltou a cair ante o dólar e as ações perderam força, a divisa americana cedeu espaço para o real e terminou a jornada valendo R$ 1,781 na compra e R$ 1,783 na venda, queda de 0,44%. Na semana, o dólar ganhou 1,48%; no mês, a valorização é de 1,54%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a queda foi de 0,47% e a moeda fechou a R$ 1,7812. O volume foi de apenas US$ 18 milhões, um dos menores do ano. No interbancário, os negócios caíram de US$ 3,5 bilhões para US$ 2,3 bilhões. Para o diretor da Pioneer Corretora, João Medeiros, as notícias do mercado externo vêm estragando o ânimo dos investidores. Problemas de rating na Grécia e Espanha, preocupação com alta de juros nos Estados Unidos e um onda de venda de euros resultam em instabilidade não só no câmbio, mas em todos os mercados. " O investidor aproveitou todos esses motivos para embolsar ganhos recentes e a nossa taxa aqui acompanhou " , resume.

Fora o sinal externo, Medeiros lembra que a semana foi pontuada por grandes remessas de dólares. A indicação mais recente seria uma saída de US$ 1,7 bilhão da AmBev.

Analisando o mercado de juros futuros, o sócio da Oren Investimentos, Jacob Weintraub, lembra que sempre que o BC está para entrar em uma política monetária altista, surge a dúvida sobre quando começa o ajuste e que tamanho ele terá. Em função das opiniões díspares, a curva futura fica mais premiada.

No entanto, diz o especialista, a análise é bem mais simples. Em primeiro lugar, o BC não precisa sair correndo para subir a taxa de juros, já que a inflação está sob controle. A primeira opção é retirar as medidas anticíclicas que tomou no período mais agudo da crise.

Outro ponto, segundo Weintraub, é o fato de que ninguém no mercado toma dinheiro a 8,75% ao ano. Para financiamentos de 3 a 4 anos a taxa gira entre 12% e 13%. " O mercado, ao precificar o futuro da política monetária, já leva o tomador a pagar mais caro. Ou seja, o mercado já fez o trabalho do BC " , explica.

Por essas duas razões, a autoridade monetária não vai precisar subir o juro tão rápido nem tão forte quanto o mercado precifica. " Parece que uma aposta mais racional é a de que não vai ocorrer essa alta embutida no mercado " , concluiu o especialista.

Na BM & F, os contratos de juros futuros voltaram a perder prêmio de risco, mas, ao contrário da quinta-feira, a queda não ficou restrita aos vencimentos curtos. Ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,02 ponto, a 10,38%. Já o vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,04 ponto, a 11,89%. E janeiro de 2013 também caiu 0,04 ponto, projetando 12,51%.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 manteve a projeção de 8,64%. E julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedeu 0,01 ponto, a 9,14% Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 249.100 contratos, equivalentes a R$ 22,49 bilhões (US$ 12,62 bilhões), queda de 63% sobre o registrado na quinta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 116.495 contratos, equivalentes a R$ 10,52 bilhões (US$ 5,93 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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