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21/12/2009 - 09h14

Bom humor externo deve contagiar abertura da Bovespa no pregão

SÃO PAULO - Os mercados mostram maior disposição dos investidores em ir às compras logo no início dos negócios desta terça-feira. A possibilidade de a Moody's rebaixar o rating de Portugal parece não preocupar os agentes, ao menos por enquanto, já que eles estão de olho principalmente nas declarações do vice-premiê da China, Wang Qishan.

Ele afirmou que seu país apoia as medidas tomadas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para promover a estabilidade financeira na Europa e comentou ainda que a China adotou medidas concretas para ajudar alguns países da UE a combater a crise da dívida soberana.

Wang também destacou que a China se tornou o segundo maior mercado para a União Europeia, assim como o bloco tem sido o principal parceiro comercial da China há seis anos consecutivos. "É de fundamental interesse da China e da União Europeia reforçar mais a cooperação econômica mútua", disse.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve acompanhar o bom humor presente na cena externa e abrir o pregão em alta. A sinalização parte do Ibovepa futuro que, há pouco, subia 0,60%, aos 68.775 pontos.

Ontem, o Ibovespa teve queda de 1,06%, aos 67.263 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 10,6 bilhões, dos quais R$ 2,99 bilhões partiram do vencimento de opções sobre ações e R$ 721,13 milhões da oferta pública de aquisição (OPA) para compra das ações da Tivit.

Em Wall Street, o índice Dow Jones teve queda de 0,12%, enquanto o Nasdaq e o S&P 500 avançaram 0,25%.

Nesta jornada, na Europa, a agência de classificação de crédito Moody's alertou da possibilidade de rebaixar o rating de Portugal em um nível ou dois, em meio ao temor de que as medidas de austeridade possam afetar a atividade econômica no próximo ano.

Dias depois de reduzir a nota de crédito da Irlanda em cinco níveis, a Moody's avisou ter colocado o rating de Portugal em revisão para possível rebaixamento.
Além da preocupação com a saúde econômica, a agência acredita que Portugal terá dificuldade em tomar empréstimos nos mercados financeiros. A agência notou, contudo, que não questiona a solvência do país. Atualmente, a nota soberana portuguesa está em "A1". A revisão deve levar três meses.

Nos Estados Unidos, o dia é de agenda esvaziada; na Ásia, o Banco do Japão (BOJ) resolveu manter a taxa de juro na faixa de zero a 0,1%, em linha com a expectativa de muitos agentes financeiros. A decisão, conhecida após dois dias de reuniões, foi alcançada de maneira unânime.

Os mercados acionários na região asiática deram sinais de alívio nesta terça-feira, dia seguinte à realização de exercícios militares no Mar Amarelo pela Coreia do Sul. A operação colocou o mundo em estado de alerta, devido ao crescente conflito com a Coreia do Norte.
Passado o momento de maior tensão, as bolsas retomaram a trajetória de alta. Em Seul, o índice Kospi subiu 0,83%; em Hong Kong, o Hang Seng teve elevação de 1,57%; e, em Xangai, o Shanghai Composite aumentou 1,79%.
Na bolsa de Tóquio, o Nikkei 225 ainda avançou 1,51% e, em Taipé, o Taiwan Taiex subiu 0,67%.

De volta à agenda local, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou hoje que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) abrandou para 0,69% em dezembro, após a alta de 0,86% um mês antes. Em dezembro de 2009, a taxa se encontrava em 0,38%. No ano, o indicador subiu 5,79%, acima dos 4,18% de 2009.

No âmbito corporativo, a BM&FBovespa revelou ontem que seu orçamento para investimentos em 2011 será de R$ 235 milhões a R$ 255 milhões. Boa parte dos recursos será aplicada em tecnologia da informação. Entre os principais projetos da bolsa para o próximo ano estão o novo sistema de negociação, o novo data center, a integração das clearings e a melhoria de infraestrutura.

Já a Vale concluiu o leilão para aquisição das ações ordinárias da Vale Fertilizantes por R$ 23,50 a ação. A empresa elevou a participação direta e indireta na Fertilizantes para 78,9% do capital total.

No setor de petróleo, a OGX concluiu a perfuração do poço OGX-24, que atingiu 4.750 metros. O poço se encontra no bloco BM-S-56 em águas rasas na Bacia de Santos. A empresa detectou indícios de hidrocarbonetos, mas não comerciais.

"Apesar da confirmação da existência de um sistema petrolífero ativo nessa região, a ausência de trapa não permitiu a acumulação de hidrocarbonetos nesse reservatório em questão. As informações adquiridas neste poço serão utilizadas para a calibração do modelo geológico para a região", observou a empresa, em nota.

(Beatriz Cutait | Valor)
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