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22/12/2009 - 08h21

Bovespa caiu pelo quinto dia e dólar valeu R$ 1,785

SÃO PAULO - A semana mudou, mas a instabilidade continuou pautando os negócios nos mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ensaiou recuperação, mas acabou marcando mesmo o quinto dia seguido de queda. No câmbio, o dólar oscilou em baixa durante boa parte da sessão, antes de fechar com leve valorização. No pregão de juros futuros o viés de baixa permaneceu, mas o volume foi pouco significativo.

A agenda externa não contou com eventos de peso e o dia foi de valorização para os mercados nos Estados Unidos e Europa. Em Wall Street, o Dow Jones ganhou 0,83%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq subiram 1,05% e 1,17%, nesta ordem. Na Europa, o FTSE-100, de Londres, teve acréscimo de 1,87%, e o Xetra-DAX, de Frankfurt, avançou 1,70%.

Esse sinal externo positivo teve efeito sobre a Bovespa durante parte do pregão. O índice começou o dia em alta e fez máxima aos 67.670 pontos. No entanto, as compras foram perdendo força e, na última meia hora de pregão, uma onda de vendas derrubou as ações da Petrobras em mais de 3%, arrastando também Vale, siderúrgicas e bancos.

Com isso, o Ibovespa terminou a jornada com queda de 1,30%, aos 65.925 pontos. Destaque para o giro financeiro de R$ 9,80 bilhões, sendo R$ 3,96 bilhões referentes ao exercício de opções sobre ações. Tal pontuação é a menor desde 13 de novembro. O índice não marcava cinco quedas consecutivas desde o fim de agosto.

Para o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, o índice perdeu fôlego após o vencimento de opções sobre ações. Ainda de acordo com o especialista, a bolsa brasileira parece " cansada " , pois não conseguiu nem acompanhar o sinal externo positivo.

Tal comportamento, segundo Machado, mostra que o investidor estrangeiro está tirando o pé do acelerador. Além do menor saldo agora em dezembro, os ativos mais operados pelos não residentes também perderam força.

Deixando 2009 para trás, Machado se diz otimista com 2010. A economia americana confirma recuperação mesmo que de forma tímida e, por aqui, os direcionadores de mercado continuam sendo o crédito e o consumo. " Em um primeiro instante, mantenho viés positivo, mas nada da exuberância irracional de 2009 " , resumiu o especialista. O ponto de incerteza, disse Machado, é como esse crescimento baseado em demanda doméstica pode afetar a inflação. Fora isso, há preocupação com o ritmo de gastos do governo. " O nome do jogo é irresponsabilidade fiscal total. Mas enquanto os estrangeiros não perceberem isso, seguimos sem grandes problemas. " No câmbio, o dólar comercial não sustentou as perdas do período da manhã, mas também não encontrou força para ganhar valor de forma expressiva. Com isso, a moeda fechou a R$ 1,783 na compra e R$ 1,785 na venda, o que representa leve alta de 0,11%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a valorização foi de 0,10% e a moeda encerrou a R$ 1,783. O volume foi de apenas US$ 12,25 milhões, um dos menores do ano. No interbancário, os negócios permaneceram na casa dos US$ 2,2 bilhões.

No mercado externo, o dólar também reverteu movimento de baixa do começo do dia e passou a registrar ligeira alta contra o euro e a libra. A valorização foi atribuída à expectativa de que os dados que sairão ao longo da semana vão mostrar que a recuperação da atividade nos EUA segue firme.

Os contratos de juros futuros tiveram um pregão morno, com baixo volume de negócios e limitada oscilação. Na agenda do dia, destaque para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que caiu mais do que o esperado, ajudando a garantir viés de baixa para os vencimentos.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M, conhecido do público em geral como índice que reajusta os contratos de aluguel, marcou deflação de 0,18% na segunda medição de dezembro, contra mediana de 0,12%. No ano, o IGP-M acumula queda de 1,64%.

Ao fim da jornada, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,01 ponto, a 10,35%. O vencimento para janeiro de 2012 recuou 0,03 ponto, a 11,85%. E janeiro de 2013 também caiu 0,07 ponto, projetando 12,48%.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 manteve a projeção de 8,63%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedeu 0,01 ponto, a 9,13%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 134.205 contratos, equivalentes a R$ 11,74 bilhões (US$ 6,57 bilhões), cerca de metade do movimento da sexta-feira da semana passada. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 54.550 contratos, equivalentes a R$ 4,92 bilhões (US$ 2,75 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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