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22/12/2009 - 12h35

CCR renova seguro de R$ 2,2 bilhões de suas rodovias

SÃO PAULO - A Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) concluiu ontem a renovação de seu programa de seguros com garantias que chegam a R$ 2,2 bilhões, uma das maiores apólices do mundo fechadas este ano. A oferta de garantias surpreendeu e chegou a R$ 3,1 bilhões, mas a empresa optou por limitar o valor, porque não precisaria de todo esse limite agora, diz Arthur Piotto, diretor-financeiro e de relações com investidores da CCR. Por isso, foi preciso fazer um rearranjo da participação de cada ressegurador para assegurar que todos entrassem no contrato. Ao todo, 12 resseguradoras participaram. No Brasil, o IRB e a JMalucelli Re participaram. A Munich Re, maior resseguradora do mundo, também fez parte do contrato, que ficou entre os dez maiores que fechou este ano. A seguradora JMalucelli liderou a apólice, que também contou com a participação da Chartis, novo nome das operações da AIG no mundo. A corretora participante foi a CSCR.

O contrato começou a ser desenhado em fevereiro, em meio ao mau humor generalizado por causa da crise e com as grandes resseguradoras internacionais enfrentando problemas financeiros. Depois de apresentações na Europa e cinco meses para colocar o risco no mercado, as condições saíram melhores que o previsto, afirma Gustavo Henrich, diretor técnico da JMalucelli e responsável pelas negociações no exterior. " Conseguimos oferta de maior capacidade e taxas mais atrativas. " O prêmio pago não foi divulgado. Piotto, da CCR, diz que ficou " estável " em relação ano ano passado. A CCR resolveu fechar um pacote de seguro garantia para todas as suas empresas juntas, chamado no mercado " Facility " . Segundo Henrich, isso facilita a negociação com as resseguradoras, que acabam assumindo quase a totalidade do risco. Do total de R$ 2,2 bilhões da apólice, R$ 1,4 bilhão é para garantias das rodovias que a empresa já tem concessão, como a Dutra e a Rodovia dos Bandeirantes. O restante será dado como garantia para novos negócios da empresa em 2010. " Essas garantias já estão pré-aprovadas e a emissão da apólice em caso de nova licitação leva dias " , diz o diretor de RI da CCR. Entre os futuros projetos no setor de concessão, estão previstos a licitação dos trechos sul e leste do Rodoanel, a terceira rodada de concessões de rodovias no Estado de São Paulo e cerca de seis mil quilômetros de estradas em Minas Gerais. O trem de alta velocidade ligando Campinas ao Rio de Janeiro também está no radar da empresa.

O governo exige duas apólices de seguro para empresas que participem de leilões de licitação. Uma é durante a seleção dos participantes, para garantir que a empresa participante tenha condições financeiras. O outro é uma garantia de performance, para quem vencer a licitação. O objetivo é mostrar ao governo que a empresa vai honrar o que prometeu. Também é possível apresentar uma fiança bancária, mas as taxas subiram muito por causa da crise e esse mercado ficou praticamente parado este ano. Além disso, a fiança compromete o limite de crédito das empresas junto aos bancos. Por isso, estão preferindo o seguro garantia. Essas apólices tiveram forte crescimento em 2009, com expansão de 75% de janeiro a outubro, segundo os dados mais recentes da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Os prêmios somaram R$ 627 milhões. Já o seguro específico para concessões públicas movimentou R$ 74 milhões no mesmo período, com expansão de 63%. Por causa da crise, as resseguradoras ficaram mais seletivas e recusaram vários riscos. No mercado externo, as taxas chegaram a subir 20%. Algumas companhias do setor elétrico tiveram dificuldade para renovar suas apólices. Empresas áreas e até uma joalheria tiveram que se desdobrar para fechar suas apólices. Mais recentemente, o mercado dá sinais de melhora.

Entre as maiores apólices fechadas em 2009, está a da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, com garantias de R$ 2,4 bilhões.

(Altamiro Silva Júnior | Valor)

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