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22/12/2009 - 14h02

Eleições não devem trazer instabilidade econômica, diz Mesquita

BRASÍLIA - O diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, descarta a possibilidade de o calendário eleitoral ter influências negativas sobre a estabilidade financeira em 2010, e também sobre o comportamento dos preços. Segundo ele, os últimos anos têm apontado que os maiores riscos não são internos, mas tem vindo do exterior, como a crise internacional de 2008.

"Para os objetivos do Banco Central, de perseguir a inflação na meta, o fato de ser um ano eleitoral ou não, nada muda", respondeu Mesquita, questionado sobre as perspectivas de mudança no comando do país, com a eleições presidenciais de 2010. Mas, ele admitiu que num país como o Brasil, é preferível "prevenir do que remediar." Ao ser lembrado sobre as turbulências do mercado financeiro na alternância do governo em 2002, quando o PT ganhou as eleições tirando o PSDB do governo, Mesquita afirmou: "Do ponto de vista dos mercados financeiros, a gente vai ver a evolução e monitorar." Destacando que trabalha no BC desde 2006, tendo vivenciado as eleições regionais daquele ano como membro da autoridade monetária, Mesquita disse que, "historicamente, nos últimos anos os riscos vieram do exterior. E, para isso, estamos preparados com reservas internacionais crescentes." Sobre a chance de eventual mudança no comando do BC - caso o presidente Henrique Meirelles decida concorrer a cargo eletivo e se afastar em março - mexer com o comportamento do mercado, e também com a inflação, Mesquita saiu pela tangente: "A instituição é maior do que as pessoas". Para ele, "a credibilidade e as políticas do Banco Central são institucionais, não são pessoais." O documento do BC prevê que, mantidos juros básicos (Selic) em 8,75%, a inflação oficial medida pelo IPCA em 2010 e 2011 ficará ao redor de 4,6%, nos dois anos. Portanto, acima da meta de 4,5%, também fixada para os dois anos, e indicando que, para uma redução no IPCA, o BC teria que adotar uma política monetária mais austera e subir os juros.

A maioria dos agentes do mercado financeiro, ouvidos pelo próprio BC, previa que a Selic aumentaria para 10,63% anuais no ano que vem, no momento em que o Relatório de Inflação foi fechado (dia 11 deste mês). Tal projeção subiu semana passada para 10,75% ao ano.

Como sempre, o diretor do BC não comenta sobre a evolução da taxa de juros. Mas afirmou que "a inflação brasileira tem persistência acima da média internacional". O que sugere que a autoridade monetária tem sempre que prevenir do remediar. "O Banco Central tem sempre que atuar antes dos problemas se materializarem", também comentou Mesquita, concluindo que "é melhor prevenir do que remediar, tomando atitudes preventivas do que uma terapia curativa depois".

(Azelma Rodrigues | Valor)

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