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22/12/2009 - 16h19

Juro longo recua com Relatório de Inflação e arrecadação de impostos

SÃO PAULO - A divulgação do Relatório Trimestral de Inflação promoveu um ajuste de baixa nos contratos de juros futuros longos na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Para o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, como o tom do documento foi mais conservador o mercado perde prêmio de incerteza. Outro fator que ajudou a tirar a inclinação da curva longa foi a divulgação da arrecadação federal em novembro, que subiu 26,39% sobre novembro de 2008 para R$ 72 bilhões. Tal desempenho reduz a preocupação com o descompasso entre receitas e despesas do governo. Ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,01 ponto, a 10,34%, depois de cair a 10,31%. Com outra dinâmica, o vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,05 ponto, a 11,80%. E janeiro de 2013 caiu 0,07 ponto, projetando 12,38%. Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 manteve a projeção de 8,63%. E julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ganhou 0,01 ponto, a 9,13%. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 516.215 contratos, equivalentes a R$ 44,88 bilhões (US$ 25,23 bilhões), um crescimento de quatro vezes sobre o volume de ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 220.455 contratos, equivalentes a R$ 19,93 bilhões (US$ 11,20 bilhões). Na avaliação de Goulart, o tom mais conservador do BC foi transparecido pelos comentários sobre a utilização da capacidade instalada, que segundo simulação apresentada no relatório pode voltar a nível pré-crise já em maio de 2010. Outro fator que denota um BC mais cauteloso foram os comentários feitos pelo diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, sobre a persistência inflacionária no Brasil e a necessidade de uma política monetária mais preventiva. Mesmo com essas indicações mais duras, Goulart avalia que o Banco Central ainda mantém uma postura de tranquilidade. Os modelos de inflação estão um pouco piores, mas ainda em patamar tido como confortável. Tanto para 2010 quanto para 2011 a inflação está em 4,6%, pouco acima do centro da meta de 4,5%. O ponto destacado pelo especialista e perceptível nas estrelinhas do relatório e da entrevista do Mesquita é a questão envolvendo as métricas de crescimento da economia. O BC falou sobre as revisões de PIB como algo normal, mas deu a entender que essa não é a medida crucial para seu modelo. Ainda de acordo com Goulart, fatores estatísticos também devem ser observados de perto. O carregamento (carry over) do crescimento de 2009 para 2010 é um ponto a ser observado. Pelo modelo do BC, essa " inércia de crescimento " seria de 3%. Portanto, para chegar ao 5,8% de crescimento de 2010 projetado pela autoridade monetária, o PIB teria que avançar 1,1% em cada trimestre do ano que vem. De acordo com o analista, tal ritmo de crescimento não representaria ameaça inflacionária, pois a taxa anualizada fica entre 4% e 4,5%. E nesse ponto que o mercado deve se apegar para lidar com o crescimento de 2010, pois o tamanho desse carry over juntamente com as leituras anualizada podem " atrasar " o início de um processo de aperto monetário. (Eduardo Campos | Valor)

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