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23/12/2009 - 18h12

Na véspera do feriado de Natal, Bovespa fecha estável e gira R$ 3,5 bi

SÃO PAULO - Como já esperado, a jornada final desta semana contou com volume financeiro bem abaixo do normal e faltou rumo para o mercado acionário brasileiro. A ausência de operações na sexta-feira, devido ao feriado de Natal, levou o investidor a reduzir sua atuação e a falta de notícias e indicadores de peso também não motivou as compras.

O Ibovespa fechou os negócios com pequena valorização de 0,02%, aos 68.485 pontos. O giro financeiro atingiu apenas R$ 3,521 bilhões. Na semana, entretanto, o índice sustentou ganho de 0,74% e, no mês, acumula alta de 1,15%.

No mercado americano, o índice Dow Jones subiu 0,12%, enquanto o Nasdaq cedeu 0,22% e o S&P 500 perdeu 0,16%.

"O volume da Bolsa ficou esvaziado por causa do feriado e da proximidade do ano novo. Os indicadores dos Estados Unidos não foram suficientes para dar alguma direção no dia. Os investidores já estão com o ano fechado, sem disposição a enfrentar riscos", apontou o gerente de renda variável da Corretora Futura, Renato Bandeira de Mello.

Apesar de a agenda de indicadores americanos ter sido forte, com dados de confiança, gastos e renda do consumidor, e também de vendas de imóveis, os números reportados não chegaram a se refletir na bolsa brasileira.

Na Europa, as notícias divulgadas não foram das melhores. Citando a deterioração das perspectivas econômicas no curto prazo, a agência de classificação de crédito Fitch cortou a nota de crédito de Portugal em um nível, de "AA-" para "A+", com a possibilidade de nova redução do rating no futuro. A agência manifestou desconfiança na capacidade de recuperação de Portugal tendo em vista as dificuldades cada vez maiores no ambiente de financiamento para o país.
Além disso, a Fitch rebaixou a nota de crédito soberana da Hungria, com perspectiva negativa - ou seja, com a possibilidade de haver uma nova piora no futuro. A nota de emissor em moeda estrangeira de longo prazo caiu de "BBB" para "BBB-", apenas um degrau acima do patamar considerado de investimento especulativo. A nota de emissor em moeda local passou de "BBB+" para "BBB".
No cenário corporativo doméstico, entre os maiores giros do dia, Petrobras PN subiu 0,11%, a R$ 25,75, e negociou R$ 320,1 milhões; Vale PNA caiu 0,39%, para R$ 50,05, e teve giro financeiro de R$ 257,5 milhões; e Itaú Unibanco PN cedeu 0,25%, a R$ 39,33, com volume movimentado de R$ 164,3 milhões.

As maiores altas do Ibovespa pertenceram aos papéis JBS ON (2,85%, a R$ 7,57), Gol PN (2,4%, a R$ 25,1) e Marfrig ON (1,78%, a R$ 14,8). Ainda no setor aéreo, TAM PN caiu 0,04%, a R$ 40,46.

As entidades sindicais desistiram da greve em cumprimento à liminar da Justiça que determinou a manutenção de 80% das atividades e fixou multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

As principais quedas do Ibovespa nesta jornada ficaram com Natura ON (-1,3%, a R$ 46,95), Klabin PN (-1,36%, a R$ 5,76) e LLX Logística ON (-1,93%, a R$ 4,55).

Fora do Ibovespa, o destaque ficou com os recibos de ações da Laep, que chegaram a disparar 18% no dia, mas fecharam com ganho de 1,20%, a R$ 0,84, com total negociado de R$ 163,8 milhões.

O mercado reagiu ao anúncio de que a Monticiano, empresa de lácteos da GP Investimentos, e o laticínio gaúcho Bom Gosto formalizaram um acordo para criar a Lácteos Brasil S/A (LBR). O BNDES Participações (BNDESPar), acionista da Bom Gosto, fará um aporte de R$ 700 milhões na LBR, sendo R$ 450 milhões em aumento de capital e R$ 250 milhões via subscrição de debêntures conversíveis a serem emitidas pela LBR. Ao mesmo tempo, as ações da Bom Gosto serão incorporadas pela nova empresa.

Com a operação, o Monticiano terá uma fatia de 40,55% da nova empresa, enquanto o BNDESPar ficará com 30,28% e o Bom Gosto, com 26,3%.

As conversas entre a Bom Gosto e a Monticiano começaram no fim do primeiro semestre. Em março, a Monticiano já havia formado consórcio com a Laep, dona da Parmalat, que estava em dificuldades financeiras. Nesse consórcio, a Laep aportou fábricas e marcas das empresas Glória e Ibituruna e recebeu ações ordinárias da Monticiano.
(Beatriz Cutait | Valor)
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