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23/12/2009 - 07h37

Bovespa subiu mais de 2% e dólar teve leve baixa ontem

SÃO PAULO - Depois de cinco dias de baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um pregão de retomada e subiu mais de 2%, para cima dos 67 mil pontos. No câmbio os agentes se ausentaram e tanto volume quanto oscilação foram pouco expressivos. E o mercado de juros futuros ficou entretido com o Relatório de Inflação do Banco Central. Isso resume o pregão de terça-feira nos mercados brasileiros. A agenda externa contou com importantes dados. Contrariando o previsto, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no terceiro trimestre foi novamente revisado para baixo, de crescimento de 2,8% para 2,2%. Vale lembrar que na primeira leitura, divulgada dois meses atrás, o crescimento estimado foi de 3,5%. Com viés mais positivo, a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis mostrou que a venda de casas usadas saltou 7,4% em novembro, para 6,54 milhões de unidades na taxa anualizada. O resultado superou a previsão de alta de 2,5%. Em Wall Street, o balanço dos dois indicadores pendeu para o lado positivo e o Dow Jones garantiu alta de 0,49%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq avançaram 0,36% e 0,67%, respectivamente. De volta ao front doméstico, as ordens de compras dominaram o pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que recuperou parte da perda de 4,94% amargada nas últimas cinco sessões. Com destaque para os carros-chefe, o Ibovespa fechou o dia com valorização de 2,26%, aos 67.417 pontos. Mas o volume foi baixo, apenas R$ 5,57 bilhões. O ganho percentual foi o maior desde 9 de novembro, quando o índice ganhou 2,71%. Para o superintendente da Banif Corretora, Raffi Dokuzian, o pregão de terça-feira foi marcado por uma retomada de posições depois da recente rodada de realização de lucros. Com mais quatro pregões para encerrar 2009, o especialista não descarta a possibilidade de o Ibovespa ir buscar os 70 mil pontos. Sobre o fechamento de hoje isso representaria uma alta de 3,83%. Olhando para 2010, Dokuzian se diz otimista, mas aponta que a volatilidade seguirá presente em função das dúvidas envolvendo o futuro da política monetária dos Estados Unidos e de outros países desenvolvidos. Por aqui, as eleições são fonte de incerteza, mas o ponto positivo é o tema crescimento doméstico continua valendo. A terça-feira foi de poucas emoções no mercado de câmbio. O dólar comercial oscilou apenas R$ 0,012 entre máxima e mínima antes e fechar a R$ 1,780 na compra e R$ 1,782 na venda, leve baixa de 0,16%. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) ocorreram apenas negócios com liquidação em D+1 (o modelo tradicional é D+2), já que na quinta-feira não tem mercado. A taxa de fechamento também ficou em R$ 1,782, leve baixa de 0,05%. O volume foi de US$ 44,25 milhões. No interbancário as transações somaram US$ 1 bilhão, menos da metade do registrado nos últimos dias. Segundo o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, a baixa variação da moeda evidenciou o fraco fluxo tanto de entrada quanto de saída. " O pessoal está esperando, mesmo, só a Ptax de fechamento de ano. " Puccinelli apontou que se tivesse que fazer uma aposta para os próximos pregões, apostaria em uma leve valorização da divisa americana. " Tem um maior otimismo com os EUA, o que acabou animando o dólar e desanimando as moedas da Europa. " Ainda de acordo com o especialista, algumas dúvidas envolvendo 2010 também ajudam a explicar a valorização recente no preço da moeda americana. Pelo lado externo, ainda existe preocupação com o balanço dos bancos e com uma aguardada elevação na taxa de juros nos Estados Unidos. Pelo lado doméstico, a questão eleitoral representa incerteza. No mercado de juros futuros o tom dos negócios foi dados pelo Relatório Trimestral de Inflação, e as interpretações foram muitas. O que parece é que o consenso foi de que os comentários ajudaram a reduzir a incerteza em um horizonte de médio prazo, o que levou a uma diminuição dos prêmios de risco entre os contratos longos. O BC indicou que trabalha com crescimento de 5,8% para o PIB em 2010 e vê inflação de 4,6% no ano que vem e em 2011, taxa pouco superior à meta de 4,5%. Para um gestor de renda fixa que preferiu não se identificar, mais importante que as projeções do BC é que o relatório acenou com a possibilidade de que a Selic de 8,75% ao ano possa vir a ser a nova taxa de equilíbrio da economia brasileira. " Essa foi a grande surpresa. Nos dois cenários, a inflação fica em torno da meta, mostrando que há sustentabilidade da economia com tal taxa de juros. " Com isso, diz o gestor, o mercado pode passar a incorporar uma probabilidade maior de estabilidade na taxa básica de juros ao longo do ano que vem. A confirmação disso depende da evolução dos dados. Para o especialista, o pico da retomada da atividade após o baque da crise já aconteceu. A partir do começo de 2010, a atividade deve voltar a rodar em patamar considerado normal, com taxas de crescimento anualizadas na casa de 4% a 5%. " Essa é uma recuperação que provavelmente não traz pressão inflacionária. " Ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,01 ponto, a 10,34%, depois de cair a 10,31%. Com outra dinâmica, o vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,05 ponto, a 11,80%. E janeiro de 2013 caiu 0,07 ponto, projetando 12,38%. Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 manteve a projeção de 8,63%. E julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ganhou 0,01 ponto, a 9,13%. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 516.215 contratos, equivalentes a R$ 44,88 bilhões (US$ 25,23 bilhões), um crescimento de quatro vezes sobre o volume da segunda-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 220.455 contratos, equivalentes a R$ 19,93 bilhões (US$ 11,20 bilhões). (Eduardo Campos | Valor)

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