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11/01/2010 - 08h47

Bovespa garantiu alta na semana e dólar caiu a R$ 1,730

SÃO PAULO - A primeira semana do ano acabou com valorização na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), queda no dólar e juros futuros em baixa. No pregão de sexta-feira passada, os dados de emprego nos Estados Unidos garantiram instabilidade à bolsa e estimularam a venda de dólares e taxas futuras.

De acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA, foram fechadas 85 mil vagas em dezembro de 2009, resultado pior do que as previsões, que oscilavam de perda de 35 mil à abertura de 15 mil vagas. O que chamou atenção foi a revisão nos dados de novembro, que apontaram a criação de 4 mil empregos, primeiro resultado positivo em dois anos. Durante todo o ano de 2009, foram perdidos 4,2 milhões de postos de trabalho. Já a taxa de desemprego permaneceu em 10%. O chefe da área de renda variável da Capital Investimentos, Fernando Barbará, comentou que o dado ilustrou o estado ainda frágil da economia americana e a dificuldade de retomada da atividade. Barbará também ressaltou que essas informações são muito voláteis (prova disso é a revisão de novembro) e que, por isso, um único dado mensal não pode ser tomado como direção. Por essa mesma razão, tal divulgação acaba não interferindo nas expectativas quanto à atuação do Federal Reserve (Fed), banco central americano.

A Bovespa operava em alta, assim como os futuros em Wall Street, até a apresentação dos números. Com a decepção, as vendas pesaram, mas o fluxo de compra não cessou completamente. Com isso, o Ibovespa oscilou próximo da estabilidade durante boa parte do pregão até fechar com baixa de 0,27%, aos 70.262 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 6,51 bilhões. Apesar de recuar na quinta e na sexta-feira, o índice ainda garantiu valorização de 2,44% na semana. O fluxo externo seguiu chamando a atenção. De acordo com a Bovespa, nos três primeiros dias de janeiro, o saldo estrangeiro já somava R$ 876 milhões. Quem dá entrada ao não residente é a pessoa física, que tem vendas R$ 939 milhões superiores às compras no mesmo período.

Em Wall Street, a falta de rumo foi grande, mas os compradores apareceram no fim do dia levando o Dow Jones a fechar com alta de 0,11%. O S & P 500 subiu 0,29% e o Nasdaq aumentou 0,74%.

Depois de três dias de reclusão, os vendedores voltaram à praça de câmbio, chamados pelo fraco desempenho do mercado de trabalho americano. Para o gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, a perda de 85 mil empregos em dezembro nos EUA indica que a taxa de juros americana não vai subir no tempo e na velocidade que o mercado vinha acreditando.

Depois de subir a R$ 1,753 na máxima da manhã, o dólar comercial encerrou o dia com depreciação de 0,85%, a R$ 1,728 na compra e R$ 1,730 na venda. Com isso, a divisa fechou a primeira semana do ano 0,75% mais barata.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar cedeu 0,55%, para R$ 1,7299. O volume caiu 45%, para US$ 113,75 milhões. Já no interbancário, os negócios permaneceram na casa dos US$ 2,5 bilhões.

Knauer lembrou que os agentes começaram o ano apostando em uma retomada mais forte da economia dos EUA, o que resultou, também, em maior demanda por dólares. " Agora, quem acumulou compra nesse período veio para a realização de lucros. " Tal raciocínio também vale para o mercado internacional. O Dollar Index, que mede o comportamento da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuou. O euro subiu forte, retomando a linha de US$ 1,44.

Knauer alertou, no entanto, que a queda de preço não configura tendência. Os agentes devem ficar atentos, pois os vetores de alta e baixa ainda estão muito equilibrados. " Neste primeiro semestre não há tendência para o dólar. Uma aposta direcional é difícil de ser feita " , explicou. Os contratos de juros futuros ensaiaram alta no começo do pregão, depois que a deflação do IGP-DI ficou abaixo da estimada. No entanto o noticiário local perdeu importância e as curvas passaram a aportar para baixo, seguindo a divulgação dos dados do mercado de trabalho americano.

De acordo com o gestor da Global Equity, Octávio Vaz, os números sinalizam que aquele crescimento além da expectativa está perdendo força no mercado externo.

Essa mesma ideia, lembrou o especialista, também é válida para o mercado local, principalmente depois da divulgação dos dados de produção industrial de novembro, que surpreenderam para baixo. Com isso, fica mais difícil acreditar em alta de juros no curto prazo tanto aqui quanto nos EUA. E isso se reflete nas curvas, que perdem inclinação. Ao final da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,03 ponto, a 10,31%, depois de subir a 10,37%. O vencimento para janeiro de 2012 também perdeu 0,03 ponto, a 11,70%. E janeiro de 2013 recuou 0,02 ponto, a 12,33%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedeu 0,02 ponto, a 9,11%. Ainda entre os curtos, abril de 2010 manteve 8,70%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 501.325 contratos, equivalentes a R$ 44,88 bilhões (US$ 25,77 bilhões), acréscimo de 50% sobre o registrado na quinta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 216.240 contratos, equivalentes a R$ 19,63 bilhões (US$ 11,27 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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