UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

11/01/2010 - 11h06

Novo câmbio gera incerteza na Venezuela

SÃO PAULO - O anúncio oficial de uma expressiva desvalorização do bolívar e da adoção de duas taxas de câmbio a partir de hoje provocou uma corrida de muitos venezuelanos ao comércio no fim de semana para a compra de produtos como eletrodomésticos, devido ao temor de que as medidas levem a uma onda de remarcações de preços. As mudanças foram anunciadas na sexta-feira pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ontem deu ordens para os militares checarem se há reajustes, advertindo que não vai tolerar especulação.

" Não há motivo para ninguém aumentar os preços de absolutamente nada " , afirmou Chávez, em seu programa de rádio e televisão. Ele chegou a ameaçar tomar estabelecimentos comerciais. " Eu quero a Guarda Nacional nas ruas com o povo, para lutar contra a especulação. " A partir de hoje, a Venezuela vai adotar um sistema com dois tipos de taxas de câmbio. No primeiro, voltado para produtos essenciais como alimentos, remédios e máquinas e equipamentos, o dólar subirá de 2,15 - cotação que vigorava desde 2005 - para 2,60 bolívares. No segundo, o chamado " dólar petroleiro " valerá 4,30 bolívares, e será usado nas transações de produtos " não essenciais " como veículos, eletrônicos e aparelhos de telecomunicações. Nesse caso, é uma desvalorização de 50% do bolívar. Segundo Chávez, as medidas têm como objetivo " revitalizar a economia produtiva. " Com a desvalorização, as receitas do país com a exportação do petróleo devem dobrar quando convertidas para a moeda local, já que a PDVSA - a empresa estatal do setor- receberá duas vezes mais bolívares por barril do produto vendido, como nota o " Financial Times " . Engordar o caixa é uma medida importante para Chávez, que enfrenta um momento econômico complicado. Em setembro, haverá eleições para a Assembleia Nacional da Venezuela. O temor de muitos venezuelanos é de que a desvalorização do câmbio provoque aumentos expressivos de preços, num país que já sofre com a maior inflação da América Latina. Em 2009, a taxa ficou em 25%. O próprio ministro das Finanças, Ali Rodríguez, admitiu que a depreciação do bolívar pode acrescentar 3 a 5 pontos percentuais à inflação venezuelana em 2010. Oscar Meza, diretor da consultoria Cendas, acredita que a medida poderá levar a inflação acima de 33% neste ano, com os preços de alimentos subindo até 36%. Alguns analistas, porém, acreditam que a desvalorização do câmbio anunciada por Chávez não vai provocar um surto inflacionário. O ponto é que uma parte expressiva das importações venezuelanas já são pagas com dólares compradas no mercado paralelo, onde a cotação já era muito superior aos 2,15 vigentes desde 2005. Na sexta-feira, por exemplo, a moeda americana fechou a 6,15 bolívares no segmento não oficial. A desvalorização do câmbio vai encarecer as importações de produtos brasileiros para o país comandado por Chávez. Cerca de dois terços dos artigos vendidos pelo Brasil à Venezuela são manufaturados, como peças e acessórios para veículos e terminais portáteis de telefonia celular. São produtos que deverão ser classificados como " não essenciais " , devendo ser negociados ao " dólar petroleiro " . Mas o principal artigo de exportação brasileiro para a Venezuela deve se beneficiar da taxa de 2,60 por dólar - as carnes. (Valor, com agências internacionais)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host