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13/01/2010 - 19h13

Juros futuros sobem, refletindo receio quanto ao avanço da demanda

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros tiveram um novo pregão de alta, seguindo a trajetória de ontem. O estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, avalia que a formação de preços foi motivada pela expectativa dos investidores de alta da inflação no primeiro trimestre deste ano e pelos leilões de títulos realizados pelo Tesouro Nacional.

Segundo ele, o mercado segue apostando em uma alta da Selic de 0,5 ponto percentual na próxima semana. Porém, a curva de juros indica que os agentes estão reavaliando as projeções para a taxa básica de juros nos próximos meses. "Antes, a curva mostrava uma aposta em quatro reajustes consecutivos de 0,5 ponto. Agora, os preços dos contratos revelam aumentos mais acentuados da Selic, a partir da segunda reunião do Copom deste ano", diz.

O motivo é que o mercado está "mais nervoso com relação ao avanço da atividade econômica do país", nas palavras de Nepomuceno. Segundo ele, o mercado também está pedindo mais prêmio de risco, devido às incertezas quanto à postura do novo governo, que tem sinalizado que vai cortar gastos, mas ainda não deu nenhuma prova concreta desse compromisso.
"A princípio, o discurso da presidente (Dilma Rousseff) é bom, porém o mercado quer mais atitude. Se a política fiscal prometida não vingar, os juros vão subir", lembra.
"Não há muita certeza também quanto à forma de comunicação do novo Banco Central com o mercado. Há dúvidas, por exemplo, quanto à independência do presidente Alexandre Tombini", explica o estrategista de renda fixa.
Outro motivo da alta nos DIs foram os leilões de dívida pública realizados neste pregão. "O governo promoveu hoje uma rolagem grande da dívida pública e os investidores puxaram um pouco os preços para comprar os títulos do Tesouro em um patamar melhor", explica.
O Tesouro teve venda integral de 6,75 milhões de títulos ofertados no leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com giro financeiro de R$ 5,119 bilhões. Além disso, no leilão de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F), foram vendidas todas as 900 milhões de notas ofertadas, com movimento de R$ 812,7 milhões.

Antes do ajuste final das posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em fevereiro de 2011 tinha alta de 0,05 ponto, a 10,95%, enquanto o de março de 2011 subia 0,02 ponto, a 11,06%. Já o contrato com vencimento em abril de 2011 tinha alta de 0,02 ponto, para 11,30%. O DI de julho deste ano, por sua vez, registrava valorização de 0,02 ponto percentual, para 11,80%.

Entre os DIs de prazos mais dilatados, o do início de 2012 registrava acréscimo de 0,01 ponto, a 12,29%. Por outro lado, o contrato de abertura de 2013 apresentava queda de 0,04 ponto, a 12,57%. Já o de janeiro de 2014 tinha estabilidade, a 12,45%. O contrato de início de 2015, por sua vez, subia 0,03 ponto, para 12,40%. Por fim, o DI de abertura de 2016 tinha alta de 0,03 ponto, para 12,25%, enquanto o contrato de janeiro de 2017 subia 0,01 ponto, também a 12,21%.
Até as 16h10, foram negociados 1,087 milhão de contratos, equivalentes a R$ 95,22 bilhões (US$ 56,7 bilhões). O aumento no número de contratos, em relação ao pregão de ontem, foi significativo, de 84,5%. O contrato com vencimento em janeiro de 2012 foi novamente o mais negociado, com 280.150 contratos, equivalentes a R$ 25,049 bilhões (US$ 14,93 bilhões).
(Karin Sato | Valor)
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