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14/01/2010 - 07h57

Bovespa defendeu os 70 mil pontos e dólar subiu a R$ 1,760

SÃO PAULO - Mais um pregão marcado pela instabilidade nos mercados brasileiros. Compras no final da sessão seguraram a Bolsa de Valores de Valores de São Paulo (Bovespa) acima dos 70 mil pontos. Já o dólar ignorou a cena externa e subiu novamente, rompendo a linha de R$ 1,75. Com direção definida pelo IPCA de 2009, que fechou abaixo do centro da meta, os juros futuros perderam prêmio de risco.

Em Wall Street, as compras ganharam força no final da tarde e ajudaram a Bovespa a garantir fechamento em terreno positivo. Depois de marcar 69.535 pontos na mínima, o Ibovespa encerrou com alta de 0,44%, a 70.385 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 6,8 bilhões.

Como vem acontecendo desde a abertura do ano, Vale PNA concentraram compras em meio a crescentes expectativas de elevado reajuste no preço do minério de ferro. Em relatório, o Merrill Lynch elevou sua previsão de alta no preço do minério de 15% para 50% em 2010. Essa visão bastante otimista, bem acima da média do mercado que trabalha com 20% a 30%, está apoiada em uma estreita relação de oferta e demanda, maior preço no mercado à vista e uma retomada mais rápida do que a esperada no preço do aço.

Dadas tais perspectivas, o Merrill Lynch listou as ações da Vale, CSN e MMX com suas " top picks " . A ação PNA da Vale ganhou 1,43%, para fechar a R$ 46,51, e o ativo ON subiu 1,23%, a R$ 54,16. Com a maior valorização do índice, MMX Miner marcou alta de 7,24%, para R$ 15,24. Já o papel ON da CSN teve acréscimo de 1,72%, para R$ 58,50.

Em Wall Street, o Dow Jones encerrou com valorização de 0,50%, o S & P 500 marcou elevação de 0,83% e o Nasdaq subiu 1,12%. O esperado Livro Bege do Federal Reserve (Fed), banco central americano, mostrou que a recuperação está se espalhando pelas diferentes regiões do país. O "porém" é que isso ainda não se traduziu em contratações. No câmbio, depois de ensaiar baixa pela manhã, o dólar voltou a ganhar do real, testando preços não observados nas últimas duas semanas.

Segundo o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, o mercado está com comportamento estranho, operando na contramão do que ensinam os livros. As compras de dólar por aqui aconteceram mesmo com o euro, a libra e algumas commodities, como ouro, ganhando valor no mercado externo. " Os mercados não estão batendo. " Em momentos como esse, disse o especialista, o melhor conselho é se recolher, pois algum movimento forte de alta ou de baixa vai acontecer. " Cautela é a grande palavra do momento. Teremos um ajuste para um lado ou para o outro " , avalia.

O gerente também avalia que há muitos rumores envolvendo o fundo soberano brasileiro, que pode se tornar um grande comprador de moeda.

Em entrevista, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse que o país pode vender títulos em moeda local para levantar recursos e comprar dólar no mercado, ajudando a conter a apreciação da moeda brasileira. Ainda de acordo com o secretário, o limite de atuação do fundo no mercado será tão grande quanto a capacidade do governo em emitir dívida. Ao final da jornada, o dólar comercial era negociado a R$ 1,758 na compra e R$ 1,760 na venda, apreciação de 0,68%. Pela manhã, a divisa chegou a cair até R$ 1,739.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,72%, para fechar a R$ 1,760. O volume caiu pela metade, para US$ 45,25 milhões. Os negócios também reduziram-se pela metade no interbancário, somando US$ 1,1 bilhão.

Observando o mercado graficamente, Puccinelli apontou que o dólar segue respeitando uma faixa de R$ 1,720 a R$ 1,782 desde 22 de dezembro. A notícia de captação externa pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não teve muito impacto no mercado. A estatal levantou R$ 1 bilhão em títulos com vencimento em julho de 2020.

Como acontece toda a quarta-feira, o Banco Central (BC) mostrou a movimentação do mercado de câmbio. A primeira semana de 2010 começou com saída de US$ 1,768 bilhão, com déficit nas contas comercial e financeira.

Não bastassem as maiores remessas financeiras e maiores importações, o BC tirou do mercado outros US$ 783 milhões por meio dos leilões à vista.

Com isso, o saldo líquido da semana foi negativo em R$ 2,55 bilhões. Vale lembrar que mesmo com essa retirada de dólares, a moeda terminou a semana 0,75% mais barata.

No mercado de juros futuros, os contratos devolveram parte dos prêmios acumulados nas últimas sessões. A redução das posições compradas foi verificada ao longo de todo o pregão seguindo a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2009.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial subiu 0,37% no mês passado, praticamente em linha com o consenso de 0,35% e inferior ao 0,41% de novembro. Com isso, o IPCA encerrou 2009 em 4,31%, abaixo da meta de 4,5% estipulada pelo Banco Central (BC). Tal leitura é a menor desde 2006.

Para a CM Capital Market, a avaliação final foi de que os números do IPCA evidenciaram apenas uma pausa na tendência de queda da inflação no país. E tal cenário deve perdurar nos próximos dois meses em função dos reajustes nas tarifas de ônibus e de efeitos sazonais captados por preço de alimentos e educação. " Entretanto, a inflação deve permanecer oscilando próximo a meta do BC, favorecido pela deflação dos IGPs no ano passado. " Partindo de tal premissa, a corretora mantém a expectativa de Selic estável em 8,75% no curto prazo. Os reajustes da taxa básica aconteceram apenas a partir de julho, visando ancorar as expectativas de inflação para 2011.

Na BM & F, a reação foi de venda, e ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,05 ponto, a 10,31%. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,04 ponto, a 11,69%. E janeiro de 2013 recuou 0,03 ponto, a 12,36%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedeu 0,04 ponto, a 9,08%, menor preço desde setembro do ano passado. Ainda entre os curtos, abril de 2010 manteve 8,69%, e março de 2010 caiu 0,01 ponto, a 8,66%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 763.760 contratos, equivalentes a R$ 69,70 bilhões (US$ 39,96 bilhões), mais que o dobro do registrado na quarta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 370.805 contratos, equivalentes a R$ 33,71 bilhões (US$ 19,33 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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