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14/01/2010 - 18h42

Bovespa perde os 70 mil pontos e Vale tem primeira queda do ano

SÃO PAULO - Descolada do mercado americano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou por correção de preço nesta quinta-feira, fechando abaixo dos 70 mil pontos pela primeira vez desde o começo do ano. As vendas se acentuaram na última hora de sessão, resultando em queda de 0,83%, para o Ibovespa, que fechou aos 69.801 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 6,87 bilhões.

O sócio-gestor da Nobel Asset Management, André Spolidoro, avalia que o movimento de baixa em um dia de valorização em Wall Street e commodities com leve alta pode ser reflexo de saída de recursos estrangeiros. Tal percepção também ganha respaldo no elevado volume financeiro do dia.

A pressão vendedora acabou pegando também as ações da Vale, que vinham em alta desde o começo do ano, ajudando a sustentar o índice. O papel PNA cedeu 0,27%, para R$ 46,38, enquanto o ON perdeu 0,01%, para R$ 54,15.

O ativo, que responde por mais de 15% do Ibovespa já acumulava alta de 10% no ano apoiado nas perspectivas de elevado reajuste no preço do minério de ferro.

Petrobras PN voltou a perder valor, recuando 1,73%, para R$ 35,67. Segundo o gestor, a ação é penalizada pelas incertezas envolvendo o esperado plano de capitalização.

A alternativa no setor também perdeu fôlego hoje. OGX Petróleo caiu 3,29%, para R$ 18,77, com o terceiro maior volume do dia, ou mais de R$ 550 milhões.

Deixando de lado o intradia, Spolidoro chama atenção para o fato de que os investidores, sejam eles grandes ou pequenos, esqueceram do setor de commodities e estão até pagando prêmio para ficar aplicado no setor doméstico. E em momentos como esse, que se abre oportunidade de investimentos nas " esquecidas " .

Ainda de acordo com o especialista, é possível manter certo otimismo com a Bovespa, mas não se deve esperar valorização semelhante a do ano passado. O ponte de preocupação no ano é o ajuste global nas taxas de juros, algo que pode reduzir o apetite por risco, o fluxo de recursos para o país e impedir um bom desempenho da bolsa brasileira.

De volta ao campo corporativo. A unit da America Latina Logística (ALL) teve o quarto maior volume do dia e caiu 5,23%, para R$ 16,11. A prévia de resultados mostrou queda de 10,9% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2009.

O setor financeiro também perdeu valor. Bradesco PN fechou com baixa de 2,13%, a R$ 36,60, e Itaú Unibanco PN devolveu 1,37%, a R$ 37,91. A ação ON da Duratex caiu 4,33%, a R$ 17,21, a Ativa Corretora reduziu a recomendação do papel de " neutro " para a " venda " . As aéreas também devolveram ganhos recentes. Gol PN perdeu 3,52%, a R$ 26,81, e TAM PN recuou 2,86%, a R$ 40,70.

Escapando às vendas, JBS ON marcou alta de 7,39%, para R$ 10,60. Corretoras estrangeiras foram os maiores compradores do papel. No varejo, Pão de Açúcar PN marcou alta de 2,11%, a R$ 67,60. As vendas líquidas da companhia subiram 44,6% no quarto trimestre de 2009, para R$ 7,43 bilhões.

Cosan ON, AmBev ON e Souza Cruz ON também ganharam mais de 2% cada.

Fora do índice, o recibo de ação da Laep seguiu com forte movimentação. O papel perdeu 3,63%, a R$ 2,65, com mais de R$ 150 milhões em negócios. A ação ON da controlada Parmalat caiu 2,22%, a R$ 22,00. E o papel PN, que subiu mais de 400% nas últimas duas sessões, devolveu 22,02% para R$ 35,09, com um negócio registrado.

(Eduardo Campos | Valor)

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