UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

14/01/2010 - 11h12

Dólar tem forte alta, após aviso de leilão de swap reverso

SÃO PAULO - O dólar opera com forte alta no início dos negócios desta sexta-feira. O principal motivo é o anúncio feito pelo Banco Central ontem, após o fechamento do pregão, de que vai realizar um leilão de swap cambial reverso.
O cenário externo também está colaborando para a alta da moeda americana. A aversão ao risco predomina nos mercados acionários, por conta da notícia de que o Banco da China determinou novo aumento no compulsório bancário do país, de 0,5 ponto percentual. A medida vale a partir do dia 20 deste mês.
No ano passado, a autoridade monetária da China alterou o compulsório bancário seis vezes. A expectativa é de que continue elevando a taxa neste ano, dada a liquidez excessiva, que está resultando em pressão inflacionária.
Por volta das 10h30, o dólar comercial subia 1,01%, cotado a R$ 1,684 na compra e a R$ 1,686 na venda. Na máxima, foi a R$ 1,690.

No mercado futuro, o contrato de fevereiro negociado na BM&F tinha alta de 0,74%, a R$ 1,691.
Na Europa, o índice da bolsa de Londres FTSE-100 tinha queda de mais de 1%, há pouco, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuava 0,4%, e o CAC-40, de Paris, 0,3%. Em Wall Street, os índices futuros operam em queda.
No leilão de swap cambial reverso que será realizado hoje, serão ofertados até 20 mil contratos, a US$ 50 mil cada, com três vencimentos diferentes. O vencimento abril de 2011 contará com até 3 mil contratos; julho de 2011 até 7 mil contratos e janeiro de 2012 apresentará até 10 mil contratos. No total, serão vendidos US$ 1 bilhão. As propostas serão tomadas das 12h às 12h30 e o resultado da operação será apresentado às 12h45.

O swap é um acordo para troca de rentabilidade dos ativos financeiros. No swap cambial reverso, que, na prática, significa a compra de dólares no mercado futuro, o BC dá às instituições financeiras a variação da taxa de juros (Selic) e recebe a variação do dólar. Ficando ativo no swap cambial, a autoridade monetária assume o risco de variação do dólar e paga ao mercado a oscilação da Selic.
O BC não realiza leilões desse tipo desde maio de 2009. Vale lembrar que, em meados do ano passado, o BC chegou a consultar os "dealers" sobre o interesse na volta do instrumento, mas o leilão acabou não acontecendo.
Cabe lembrar que essa medida se soma às demais iniciativas do governo para conter a valorização do real. Na semana passada, o BC anunciou um compulsório de 60% sobre a posição vendida dos bancos no mercado à vista que exceder US$ 3 bilhões ou o capital de referência, o que for menor.
Já na segunda-feira, o Ministério da Fazenda publicou as resoluções que faltavam para habilitar o Fundo Soberano do Brasil a comprar e vender moeda estrangeira e realizar operações de derivativos, entre elas os swaps cambiais.
Por fim, em outubro do ano passado, a Fazenda elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre ingressos externos para aplicações em renda fixa duas vezes, primeiro de 2% para 4% e, depois de 4% para 6%. Também foi elevado o IOF incidente sobre depósitos de margem na BM&F.
Agora, os investidores aguardam a divulgação de uma série de dados nos Estados Unidos, como o resultado das vendas no varejo e a produção industrial de dezembro, bem como a variação dos estoques das empresas americanas em novembro. A Universidade de Michigan ainda publica o indicador preliminar de janeiro da confiança do consumidor americano.

(Karin Sato | Valor)
Hospedagem: UOL Host