UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

14/01/2010 - 10h35

Temer retoma controle do PMDB com volta à presidência

BRASÍLIA - No comando do PMDB desde 2001, o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), deve ser reconduzido em março a mais um mandato à frente do maior partido do país. Cotado para ocupar a Vice na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), virtual candidata do PT às eleições presidenciais de outubro, o pemedebista pretende manter-se no controle da sigla para negociar os espaços do partido com o governo que assume no próximo ano.

Temer é o líder do grupo do PMDB da Câmara, que ganhou espaço no governo Lula, especialmente, depois que uma série de escândalos desgastou o grupo do PMDB do Senado, liderado pelo presidente da Casa, José Sarney, e pelo líder da bancada, Renan Calheiros. Contando com o ministro Nelson Jobim (Defesa), o PMDB atualmente comanda seis ministérios, um espaço que não dispõe, pelo menos, desde o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso.

A reeleição de Temer, como é prevista hoje no partido, reforça a aliança do PMDB com o governo Lula e, consequentemente, a eventual coligação PT-PMDB nas eleições de 2010. O PSDB e o grupo que lhe é simpático entre os pemedebistas tentam levar a sigla a não se definir por nenhum nome, como ocorreu nas últimas eleições presidenciais. Mas é o governo que tem criado mais problemas à coligação entre as duas legendas, como aconteceu quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recentemente, sugeriu que o partido apresentasse uma lista tríplice para Dilma escolher o candidato a vice.

A sugestão deixou evidente para os pemedebistas que Lula pensava em escolher o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, entre os três indicados. Isso só reforçou a posição do presidente do PMDB.

Temer está licenciado da presidência do PMDB desde o início de 2009, quando assumiu a presidência da Câmara Federal. Em seu lugar está a deputada Iris de Oliveira (GO), esposa do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. A ideia de Temer é continuar a ter influência sobre as decisões partidárias, ainda que continue licenciado da função. A candidatura de Temer, ainda não oficial, não deve ter concorrência. Nem mesmo o grupo dissidente do PMDB que lançou a pré-candidatura do governador do Paraná, Roberto Requião, à Presidência da República pretende disputar o comando partidário com o grupo de Temer. Antes dele, apenas Ulysses Guimarães, fundador do partido, permaneceu por um longo período na presidência. " Não vamos bater chapa " , comentou o deputado Roberto Rocha Loures, dirigente do estadual do Paraná, ligado a Requião. " Não haverá disputa política dentro do PMDB sobre o presidente. A nossa disputa será no meio do ano " , disse Loures. A escolha do comando partidário deverá ser feita em março, mas a definição sobre a posição do partido na eleição nacional deste ano só se dará em meados do ano, em junho ou julho. Na ocasião, serão julgadas três teses: aliança com o PT e participação na candidatura da ministra Dilma Rousseff; apoio ao PSDB e ao governador de São Paulo, José Serra, e lançamento de candidatura própria, com o governador do Paraná, Roberto Requião. " A escolha do candidato à Presidência dependerá das pesquisas e de quem estiver na frente " , afirmou o deputado Loures. A manutenção de Temer no comando partidário deverá facilitar a escolha da tese de alinhamento com a candidatura Dilma na convenção nacional do PMDB. Conhecido por sua proximidade com o governador paulista, José Serra (PSDB), Temer aproximou-se da cúpula petista durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e garantiu espaço no governo. O grupo político ligado a Temer ganhou poder na negociação do vice de Dilma Rousseff e o nome do presidente da Câmara tornou-se o mais cotado para a vaga na chapa. São cogitados também o ministro das Comunicações, Helio Costa, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Na disputa interna do partido, o PMDB da Câmara ganhou força em relação ao grupo do Senado e pretende manter-se influente. Temer foi hábil na aproximação com o governo, assim como fez na gestão de Fernando Henrique Cardoso. O pemedebista foi líder do partido durante o governo tucano, entre 1995 e 1997. No governo FHC, Temer presidiu a Câmara por duas vezes: de 1997 a 1999, e reelegeu-se para a gestão de 1999-2000. Na convenção de 2002, o partido, sob seu comando, ratificou na convenção a decisão de se coligar com o PSDB para disputar a Presidência, apoiando José Serra na disputa. O mandato de Temer como presidente da Câmara só termina em 2011, mas a função não o impede de presidir o partido. Quando venceu a disputa em fevereiro, o pemedebista ficou cerca de um mês na presidência do partido, antes de se licenciar. No caso de vir a ser vice de uma chapa vitoriosa, não poderá continuar na presidência do PMDB. (Raymundo Costa e Cristiane Agostine | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host