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15/01/2010 - 09h07

Bovespa perdeu os 70 mil pontos e dólar subiu pelo quarto dia

SÃO PAULO - A quinta-feira terminou com viés negativo para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) descolou dos ganhos em Wall Street e perdeu os 70 mil pontos pela primeira vez no ano. O dólar marcou o quarto dia de alta contra o real e os juros futuros acumularam prêmio de risco.

Na agenda do dia, apareceu uma série de indicadores sobre a economia americana, mas eles não se mostraram determinantes para o comportamento dos índices em Wall Street ou por aqui. As vendas no varejo caíram 0,3% em dezembro, contra previsão de alta de 0,5%. Com isso, a queda acumulada em 2009 foi de 6,2%. Conforme o esperado, os preços de importação ficaram estáveis no mês passado. Pelo lado do emprego, o número de pedidos por seguro-desemprego nos EUA cresceu em 11 mil na semana passada, para 444 mil. No entanto, o número de americanos que continua recebendo o benefício diminuiu em 211 mil, para 4,6 milhões.

Em Wall Street, a falta de rumo foi grande, mas, à tarde, os compradores firmaram posição, garantindo alta de 0,28% para o Dow Jones. O S & P 500 e o Nasdaq ganharam 0,24% e 0,38%, respectivamente.

No mercado local, foram as vendas que aumentaram no final do dia levando o Ibovespa a perder os 70 mil pontos conquistados no primeiro pregão do ano. As vendas se concentraram em Petrobras, OGX, ALL e bancos, e as ações da Vale, que vinham dando sustentação ao índice, também cederam à pressão.

No final da jornada, o índice apontava queda de 0,83%, aos 69.801 pontos O giro financeiro somou R$ 6,87 bilhões. A queda não foi muito expressiva, mas é a maior desde 21 de janeiro.

No câmbio, mais um dia de valorização, o quarto consecutivo. Com isso, a moeda já sobe 2,02% na semana. O dólar comercial avançou 0,28%, cotado a R$ 1,763 na compra e R$ 1,765 na venda. O preço é o maior desde 22 de dezembro (R$ 1,782). Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,23%, para R$ 1,764. O volume atingiu US$ 27,5 milhões, enquanto os negócios no interbancário somaram US$ 1,3 bilhão.

Segundo o diretor de Gestão da Meta Asset Management, Henrique de La Rocque, o movimento de alta reflete, em parte, a expectativa em relação à atuação do Fundo Soberano. " Ninguém sabe ao certo como o Fundo funcionará, mas todo mundo sabe que ele será mais um comprador no mercado, o que também ajuda a pressionar a moeda " , apontou.

Vale lembrar que, na terça-feira, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse que o país pode vender títulos em moeda local para levantar recursos e comprar dólar no mercado, ajudando a conter a apreciação da moeda brasileira. Ainda de acordo com o secretário, o limite de atuação do fundo no mercado será tão grande quanto à capacidade do governo em emitir dívida.

De acordo com economista-sênior para a América Latina da empresa de análises de mercado 4Cast, Pedro Tuesta, o momento de tal declaração não foi dos melhores, pois os agentes já estavam reduzindo posições em real em função do limitado potencial de alta.

Segundo Tuesta, a sinalização de maior presença do governo no mercado e a menor expectativa de valorização do real resultam em um aumento nas recomendações de venda de moeda brasileira e posicionamento em outras divisas, como o peso mexicano. Na visão da empresa, o dólar deve buscar a linha de 1,78 a 1,789.

Nos juros futuros, a força do comércio varejista estimulou a formação de posições compradas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas subiram 1,1% em novembro.

O mercado também conviveu com rumores sobre a saída os diretores de Política Econômica, Mario Mesquita. Procurada, a assessoria do BC disse que não comenta rumores de mercado.

Ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,03 ponto, a 10,33%. O vencimento para janeiro de 2012 subiu 0,07 ponto, a 11,77%, e o contrato de janeiro de 2013 registrou acréscimo de 0,05 ponto, a 12,42%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na taxa Selic no primeiro ou no segundo semestre, aumentou 0,01 ponto, a 9,11%. O DI para abril de 2010, por sua vez, avançou 0,005 ponto, a 8,695%, e março de 2010 teve elevação de 0,005 ponto, a 8,665%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 516.705 contratos, equivalentes a R$ 46,013 bilhões (US$ 26,380 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 218.950 contratos, equivalentes a R$ 19,917 bilhões (US$ 11,419 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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