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18/01/2010 - 08h35

Bovespa perdeu 1,83% na semana enquanto dólar ganhou 2,43%

SÃO PAULO - A sexta-feira marcou mais um dia negativo para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu os 69 mil pontos e o dólar registrou o quinto dia seguido de apreciação contra o real. No mercado de juros futuros, o dia foi de ajuste de baixa.

A agenda externa foi carregada e influiu no rumo dos negócios. O dia começou com os resultados do JP Morgan, que superaram a previsão, mas algumas linhas do balanço, como provisão para crédito, e comentários do presidente da instituição desagradaram os investidores.

O JP Morgan divulgou lucro de US$ 3,3 bilhões no quarto trimestre do ano passado, ou US$ 0,74 por ação, contra previsão de US$ 0,61 por ação. Com um tom cauteloso, o presidente da instituição, Jamie Dimon, disse que, apesar de os resultados mostrarem melhorias, está ciente de que ficaram aquém de um retorno adequado sobre o capital e do potencial de lucro da instituição.

No campo econômico, o índice de preços ao consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,1% em dezembro, desacelerando de 0,4% em novembro. No ano, o avanço foi de 2,6%. Já o núcleo do indicador, que tira alimentos e energia da conta, também aumentou 0,1% no último mês de 2009.

O Federal Reserve (Fed), banco central americano, mostrou que a produção industrial doméstica subiu 0,6% em dezembro, contra previsão de 0,5%. No acumulado do ano, a indústria caiu 9,7%, pior resultado desde 1946, quando a contração foi de 13,7%.

Também foi apresentada a prévia da confiança do consumidor americano em janeiro. Segundo a Universidade de Michigan, o índice teve leve alta, de 72,5 para 72,8.

Em Wall Street, a preocupação como setor financeiro pesou sobre os negócios. O Dow Jones perdeu 0,94%, o S & P caiu 1,08% e o Nasdaq devolveu 1,24%. Na semana, o Dow perdeu 0,1%. O S & P e o Nasdaq cederam 0,8% e 1,3%, respectivamente.

Na Bovespa, as ordens de venda também foram maioria. Com exceção da Petrobras, os papéis do setor de commodities puxaram as quedas dentro do índice, junto com bancos. Ao final da jornada, o Ibovespa tinha recuo de 1,18%, a 69.978 pontos, com giro financeiro de R$ 6,4 bilhões.

Com três dias de baixa em cinco pregões, o índice fechou a semana com perda de 1,83%. Já no ano, o Ibovespa ainda apresenta leve alta, de 0,57%.

Para o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, o mercado precisava respirar um pouco. Basta lembrar que o Ibovespa veio dos 60 mil pontos no final de outubro para cima dos 70 mil pontos agora em janeiro, ou seja, uma arrancada de mais de 17% de valorização em dois meses.

Ainda de acordo com Machado, essa queda não cria nenhuma preocupação maior, pois não há mudança de fundamento ou reversão de expectativas. " O índice fez o objetivo acima dos 70 mil pontos e agora corrige um pouco " , avalia.

Machado também criticou a onda de previsões que são apresentadas todo o começo de ano quanto ao fechamento do índice em dezembro. Na visão do gestor, mais importante do que para onde o índice vai é saber como ele vai até lá.

" Pode estar aos 85 mil pontos no final do ano, mas ter batido os 100 mil pontos antes. Esse é o tipo de coisa que não dá para saber, ainda mais quando estamos avaliando o cenário externo dia a dia. " O vencimento de opções sobre ações, que acontece hoje ajuda a explicar parte da instabilidade do pregão e também as movimentações atípicas com ações de Petrobras e Vale. Segundo Machado, o vencimento será interessante, pois nesta segunda-feira não há referencial externo. Os mercados em Wall Street estarão fechados em função do feriado de Martin Luther King.

O dólar comercial completou cinco dias seguidos de valorização contra o real, sequência não registrada desde o fim de agosto do ano passado. Com isso, a divisa acumulou valorização de 2,43% na semana, maior ganho semanal desde o final de outubro.

A demanda por dólar subiu em uma semana marcada por rumores quanto à atuação do fundo soberano brasileiro, remessas de recursos para o exterior, recomendações externas para menor exposição ao real, aumento na posição comprada dos estrangeiros em dólar futuro e queda do preço de ações e commodities. De acordo Machado, da Vetorial Asset, quando várias explicações aparecem para a movimentação de um mesmo ativo, mais evidente é manipulação do mercado. Segundo o especialista, isso mostra que a briga de comprados e vendidos no câmbio só envolve grandes agentes. No entanto, segue válida a banda de oscilação entre R$ 1,72 e R$ 1,78.

Ao fim da jornada, o dólar comercial era negociado a R$ 1,770 na compra e R$ 1,772 na venda, valorização de 0,39%. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,45%, fechando também a R$ 1,772. O volume praticamente dobrou ante a quinta-feira, mas seguiu baixo, somando apenas US$ 45,75 milhões. No interbancário, o giro aumentou 85%, para US$ 2,4 bilhões.

Nos juros futuros, a inflação captada pelo IGP-10 não fez preço no mercado. O índice apontou inflação de 0,20% agora em janeiro, revertendo deflação de 0,07% observada em dezembro, e acabou acima das estimativas. Na avaliação do sócio da InTrader, José Simão, o movimento dos juros refletiu apenas um ajuste de posições, já que a tendência segue de abertura da curva, em meio à expectativa de elevação da taxa básica de juros pelo Banco Central (BC).

" Os investidores estão realizando posições, mas este não é um momento de baixa. Os DIs tendem a retomar a alta nos próximos dias " , assinalou Simão.

Ao fim da jornada, o DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, recuava 0,06 ponto percentual, a 10,26%, enquanto o de janeiro de 2012 também caía 0,06 ponto, a 11,70%. Ainda na ponta longa, o contrato de janeiro de 2013 cedia 0,11 ponto, a 12,34%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na taxa Selic no primeiro ou no segundo semestre, tinha baixa de 0,01 ponto, a 9,09%. O DI para abril de 2010, por sua vez, caía 0,02 ponto, a 8,69%, e março de 2010 cedeu 0,01 ponto, a 8,664%. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 652.995 contratos, equivalentes a R$ 59,198 bilhões (US$ 33,544 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 314.500 contratos, equivalentes a R$ 28,627 bilhões (US$ 16,221 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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