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18/01/2010 - 16h36

Em dia de ajuste, contratos de juros fecham com queda nas taxas

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros devolveram novamente parte dos prêmios acumulados nas últimas sessões e iniciaram a semana em queda na BM & F.

Sem a divulgação de dados macroeconômicos de relevância, Dany Rappaport, sócio da InvestPort, observa que a trajetória dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) nesta segunda-feira foi apenas um " ajuste técnico " , dadas as expressivas altas verificadas nas sessões mais recentes.

" Hoje temos um movimento mais especifico de redução de preços que de reversão de tendência " , afirmou.

Apesar do fechamento da curva nesta sessão, as taxas dos juros futuros ainda mostram espaço para novos ajustes, tendo em vista as expectativas das instituições de mercado consultadas pelo Banco Central no Boletim Focus.

Segundo o levantamento, os agentes projetam a taxa básica de juros em 11,25% ao final de 2010, ante previsão anterior de 11%. Em dezembro de 2011, a Selic deve corresponder a 11% ao ano, perspectiva também superior à da semana anterior (10,75%). A previsão para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida em 4,50% tanto para 2010 como para os 12 meses seguintes.

A InvestPort acredita que o aperto monetário terá uma extensão mais limitada, de no máximo 125 pontos-base (1,25 ponto percentual) de elevação da taxa básica de juros, até dezembro deste ano.

" Não vemos muita razão para o Banco Central subir a taxa de juros. O aperto só deve começar quando a inflação mostrar sinais de alta, o que não deverá ocorrer no primeiro trimestre " , disse Rappaport.

Em relatório divulgado ao mercado, a equipe de análise do Credit Suisse ressaltou que a maior certeza em relação a um forte crescimento da atividade econômica brasileira em 2010, mesmo em um cenário de inflação baixa, justifica o aumento das projeções do mercado para o aperto monetário neste ano. No cenário-base da instituição, entretanto, a Selic será elevada em apenas 150 pontos (1,5 ponto percentual) ao longo deste ano, em meio a uma expansão de 6,5% do PIB e de uma inflação de 4% no período.

Ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, estava estável, em 10,27%. Já o vencimento para janeiro de 2012 perdia 0,03 ponto, a 11,68%, enquanto o contrato do primeiro mês de 2013 cedia 0,04 ponto, a 12,32%.

Na ponta curta da curva, o DI de julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, perdia 0,01 ponto, a 9,09%, enquanto o contrato de abril de 2010 estava estável, a 8,69%, assim como a taxa de março de 2010, a 8,67%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 321.000 contratos, equivalentes a R$ 29,404 bilhões (US$ 16,602 bilhões), praticamente a metade do total registrado na sexta-feira (R$ 59,198 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 74.530 contratos, equivalentes a R$ 6,788 bilhões (US$ 3,832 bilhões).

Amanhã, os agentes contarão com novos indicadores de inflação. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgará o Índice de Preços ao Consumidor do município de São Paulo (IPC-SP) da segunda quadrissemana de janeiro e a FGV publicará a segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) no mês.

(Beatriz Cutait | Valor)

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