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18/01/2010 - 10h55

Pandemia da gripe A perde força, admite OMS

GENEBRA - A pandemia do vírus da gripe A (H1N1) parece estar sendo superada, admitiu hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS), na prática descartando o cenário devastador de milhares de mortes e prejuízos de centenas de bilhões de dólares.

"O pior já pode ter passado" no hemisfério norte, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, ao conselho de administração. Mas alertou que uma conclusão mais segura sobre a superação da pandemia só deve ocorrer em abril, quando a sessão de gripe terminar. "Ainda há muito inverno pela frente", disse.

Além disso, insistiu sobre riscos quando o hemisfério sul entrar na sua sessão de gripe e o vírus se tornar mais transmissível. Na África, persiste a possibilidade de "intensas ondas de transmissão" do vírus.

Depois de ter decretado a pandemia e elevado ao nível mais alto de grau de alerta, a OMS está sob pressão de alguns governos e entidades. O Conselho da Europa, que reúne 47 países do velho continente, abriu uma investigação excepcional sobre a influência que a indústria farmacêutica teria exercido sobre a entidade. Na quarta-feira, os laboratórios Sanofi Pasteur, Novartis, GlaxoSmithKline e Baxter serão interrogados no Senado francês.

Estima-se que a venda maciça de vacinas para combater uma pandemia rendeu aos laboratórios até US$ 10 bilhões de lucros suplementares. Vários governos não sabem agora o que fazer com estoques de vacinas não utilizadas.

Mas a diretora-geral da OMS fez sua defesa hoje, indicando que a pandemia foi moderada em razão de amplo abastecimento de vacinas. Margaret Chan disse que a OMS está pronta a prestar contas de todas suas decisões na gestão da pandemia.

Um estudo do Banco Mundial estimava que o custo econômico da pandemia poderia variar de 0,7% a 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global, dependendo da gravidade da doença. A cifra menor leva em conta um cenário de "catástrofe modesta", como a epidemia de gripe de Hong Kong, de 1968/69, que matou cerca de 1 milhão de pessoas no mundo. A estimativa maior se refere à gripe espanhola de 1918-1919, que teria feito pelo menos 30 milhões de mortos.

Por sua vez, a agência de classificação de riscos Moody´s estimou que o impacto macroeconômico global de uma pandemia de gripe moderada pode causar a morte de 1,4 milhão de pessoas e prejuízos de US$ 330 bilhões.

Em seu último balanço, a OMS mostrou que o número de mortes por causa da gripe A chegou a 13.550 até o começo deste mês. Foram 7 mil nas Américas, 2,8 mil na Europa e o resto, em outras regiões. A maior transmissão do vírus A (H1N1) persiste na Europa Oriental, no norte da África e no sul da Ásia.

(Assis Moreira | Valor)

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